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sábado, 5 de setembro de 2009

O BAIRRO


Na foto, que eu não sei de quem é, estão Marco Antônio Sório e Sérgio Lulkin numa cena da peça O Bairro que eu tive o imenso prazer de assistir neste feriadão teatral que me propus a fazer. Não gosto de soldados marchando, sabia que não viajaria no feriado, só me restava ir ao teatro. Comecei bem com a peça da Ana Paula Zanandréa. O segundo dia, sexta-feira, foi um golaço. Mais uma aula de teatro essencial. Fiquei maravilhado com a sinceridade das interpretações, se é que se pode usar esta palavra "interpretação" para o trabalho apresentado pelo conjunto de atores da peça. Essencial. O texto é tão inteligente que às vezes se repete. Apesar dos vários nomes e personagens a peça poderia ser um monólogo. Mas, acaba sendo melhor fazer um monólogo com cinco atores do que com apenas um. O risco de ficar chato é bem menor. A peça é muito boa. Se voltar, não percam. Um exemplo de excelente teatro.
M.F.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SOBRE A ARTE DO ATOR

O time que aparece aí na foto: à frente Sandra Dani, ao seu lado Sérgio Lulkin, mais atrás da esquerda para a direita: Tatiana Cardoso, Nair D'Agostini e Roberto Oliveira. Pois, estas "lêndias" vivas do teatro gaúcho juntaram-se para conversar sobre a arte do ator, principalmente enfocando a questão o ator e o seu método. Boa conversa. Excelente presença do público. Na platéia, além de uma porção de jovens ávidos pela troca, sentavam celebridades do meio teatral: Nelson Diniz, Márcia do Canto, Claúdia Sachs, Melissa Dornelles, entre outras. O nível da discussão foi elevado: os métodos de atuação, o treinamento do ator, a importância da pesquisa e da experimentação na formação de atores, a importância da formação de atores, foram alguns dos assuntos abordados. Público e integrantes da mesa concordaram que a Coordenação deveria abrir mais espaços para este tipo de conversa: a troca de experiências está fazendo falta na cidade. Ficou anotada pela Coordenação de Artes Cênicas a sugestão de continuidade.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

MERGULHANDO EM TERESA E NO MEU AQUÁRIO

"O teatro quer ser repensado, relançado, retomado. Não podemos nos satisfazer com sua letargia, nem aceitar sua extinção. Cada qual pode inventar os meios desta recuperação, que são incontáveis."
Denis Guénon
Somente uma peça assim pra me trazer de volta ao perigoso mundo da crítica teatral. Deixei para o último final de semana da temporada, mas não para o último dia, e fui ver TERESA E O AQUÁRIO, novo trabalho do diretor João de Ricardo. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito num sábado. A peça é simplesmente encantadora. Não percebi o tempo passando, embora quando acabou eu achasse que era mesmo chegada a hora de acabar. Precisão, talvez esta seja a palavra. João de Ricardo manobra com precisão cada um dos elementos cênicos. Atores, iluminação, trilha sonora, tudo é tratado com carinho e com a importância devida na constituição do espetáculo. Criatividade, talvez seja a palavra, porque João e com certeza toda a sua afinada equipe (atores, dramaturgo, multimídia, etc) esbanjam na criação de imagens que causam forte impacto sensorial em seus espectadores. Achados maravilhosos. Propostas radicais, ousadia. Ousado, talvez seja a palavra. Ousado. Isso. Achei que era um espetáculo que ousava em tudo e em cada uma de suas propostas. Da utilização de imagens ao trabalho de ação vocal dos atores; da dessacralização destes mesmos atores ao arrojos experimentais da trilha sonora. E viva a ousadia!! Fazia tempo que uma peça não me provocava tanto. No marasmo desértico que anda o nosso teatro, ver a peça do João é como chegar num oasís. A construção dramaturgica de Diones Camargo é raro brilho, principalmente na voz e no corpo dos atores. Lisandro Belotto com um trabalho honestíssimo, entrega total. Irretocável. De Sissi Venturin só me queixo do cabelo sobre o rosto o tempo inteiro como em Andy/Edie. Maravilha. Parabéns a todos pela realização. Este é sem dúvida o melhor trabalho realizado dentro deste concurso do Palco Habitasul. Este é o melhor trabalho realizado pelo João até agora. Não vi Extinção. Mas vi Andi/Edie. E vi a inovadora montagem de A Serpente. A peça fica com a gente, fica na gente. Remexeu o meu aquário de imagens, recordações, situações. Teatro puro.
M.F.