Em compensação este vale muito à pena assistir. Um roteiro muito bem acabado, que prende e interessa ao espectador do começo ao fim do filme. Personagens sensíveis, vivendo uma situação sui generis que tanto diverte, quanto faz pensar.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
SKYLINE - NÃO CAIA NESSA
Adoro filmes de ficção cientifica. Máquinas do futuro, alienígenas, robos, invasão da Terra e todas estas baboseiras. Assim, corri para assistir a mais esta invasão do planeta. Que frustração. O filme é uma droga.
Não perca seu tempo, nem seu rico dinheirinho assistindo esta porcaria. Legítimo caça-níquel hollywoodiano.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
PRÊMIO PARA NOVOS DIRETORES
Encerra hoje o prazo para inscrições no Concurso de Montagem Teatral para novos diretores. É a segunda edição desta louvável iniciativa da Coordenação de Artes Cências (Breno Ketzer e sua turma), e desta vez o prêmio é menos ridículo do que aquele oferecido no ano passado quando o novo diretor foi “incentivado” com 10.000 reais, sendo que deste valor ainda devia pagar os direitos autorais.
Mas não pensem que a precariedade diminuiu muito. O prêmio agora é de 15.000 e (acho) o Instituto Goethe é que vai pagar os direitos do autor. Melhorou. Mas, quando vão pensar em incentivar alguém de verdade? Um valor que não incentive o que todos aqui já sabemos fazer: teatro de baixíssimo custo. Um teatro semi-amador.
Quanto ao autor definido, penso que, apesar de toda importância que tem o Heiner Muller, seria mais interessante encenar autores alemães contemporâneos, desconhecidos do público porto-alegrense, como foi o caso do dramaturgo anterior, Marius von Mayenburg.
Agora, é aguardar para ver quem será o novo diretor que vai sentar na cadeira.
sábado, 20 de novembro de 2010
A SUPREMA FELICIDADE
Quando dá pego um cineminha. Sempre é bom. Já fui muito mais ao cinema do que vou agora. Falta tempo. Não vou com a cara do Jabor. Não gosto da pose de inteligente de plantão, nem dos papos direitosos que ele emite na sua coluna da rede globo. Mas, vi o trailer do último filme dele e fiquei muito a fim de assistir. E fui, afinal de contas, o cara é um cineasta famoso.
O filme começa muito bem. Mas, fazia vinte anos que Arnaldo Jabor não filmava, e ele quis colocar coisa demais dentro do filme. Quer seguir várias histórias de seus personagens e não segue nenhuma. O filme é "do bem", Marcos Nanini está arrasando, mesmo superinterpretando um pouco, os atores são bons, mas tem uma coisa que não acontece. Os musicais são ótimos e o clima nostálgico que perpassa o filme é bacana. Bacaninha o filme do Jabor. Aliás, o Jabor é muito diferente nas entrevistas e no Jornal da Globo. no Jornal ele aparece maquiado, bem penteado e remoçado, como diria minha vó. Nas entrevistas, ele se encontra mais detonado, o cabelo amassado, olheiras profundas como de bebum. Quem te viu e quem te vê.
A ALEGRIA DE FAZER TEATRO
domingo, 24 de outubro de 2010
UM MONTE DE PEÇA BOA
De propósito, bem na chamada ressaca provocada pela over dose de teatro do Porto Alegre em Cena, só pra contrariar, entra em cena uma fortíssima movimentação teatral.
A primeira estréia deste momento atípico foi A Lição, encenada pela Cia. de Teatro ao Quadrado, do Marcelo Adams e Margarida Peixoto. Mas, têm vários espetáculos estreando, e pelo menos alguns deles, na minha expectativa, prometem agitar a "crasse" e o público frequentador do teatro local. Wonderland do Sarcaústico, Hotel Fuck da Santa Estação e Clube do Fracasso da Cia. Rústica. Daniel Colin, Jezebel de Carli e Patrícia Fagundes são, respectivamente, os diretores dos espetáculos. Mas, tem muito mais: tem o TeatrOfídico, do Eduardo Kraemer e Renato del Campão que estreia "Pode ser que seja só o leiteiro lá fora"; tem estréia marcada de HYBRIS, novo espetáculo do Falos, do Marcelo Restori; tem o novo trabalho da Usina do Trabalho do Ator, da Celina Alcântara e Gilberto Icle, a peça se chama Cinco tempos para a Morte; tem o Animal Agonizante, peça dirigida pelo Luciano Alabarse com Luiz Paulo Vasconcellos protagonizando. Tem Vanise Carneiro estreando Nove Mentiras Sobre a Verdade. É muita peça. Tomara que eu consiga ver tudo.
Ontem (sábado) assisti a peça do Daniel. Maravilha, criativa, feérica, como manda o talento do Dani. Depois escrevo mais, ainda estou deglutindo todo o imenso conteúdo de provocação que a peça causa no espectador.
Hoje vou ver O Clube do Fracasso, peça da minha amiga Patrícia Fagundes. Assisti praticamente todas as peças que ela dirigiu. Nenhuma das vezes saí insatisfeito do teatro. Depois escrevo alguma coisa. Mas, se voce gosta de teatro, não perca tempo, faça sua escolha, compre seu ingresso e bom espetáculo.
foto: modesto fortuna; na foto: rodrigo shalako em Wonderland, ou...
foto: modesto fortuna; na foto: rodrigo shalako em Wonderland, ou...
sábado, 9 de outubro de 2010
UM POUCO DE POLÍTICA
Saravá! A Era Ieda acabou! A Mônica não se elegeu. E o Tarso provou que é bom de voto e acabou com os sonhos de governador do Fogaça. Ganhar no primeiro turno é ruim porque o cara fica se achando. Mas é bom porque economiza um pouco do dinheiro público que é gasto nos anúncios do TRE. Que palhaçada nacional foi o supremo da Elen e sua turma, votar na véspera da eleição que não precisava levar o título. Depois de gastar uma nota divulgando que sem os dois documentos o cidadão não poderia votar. Cara dura esses ministros do supremo. Eles é que tão se achando.
Minha gurua, Enid Backes, disse que o melhor é ter um segundo turno pro Lula não acreditar que pode tudo, que pode eleger até um poste pra presidente. Além disso, não se economiza nada se não houver segundo turno, porque a grana já esta destinada e não vai voltar jamais para os cofres públicos haja ou não haja segundo round.
Voces já notaram que agora no segundo turno as propostas dos dois candidatos são as mesmas? Vou transcrever mais uma vez as palavras ditas em 1972 pelo artista plástico Joseph Beuys:
" Pergunto-me quanto tempo ainda pode durar tal jogo. Por quanto tempo as pessoas continuarão a votar em partidos e em seus representantes, ou melhor em conceitos vazios de significado e conteúdo"
Eu vou de Dilma a a Enid me confidenciou que não vai votar em nenhum dos dois candidatos. Mas como o voto é secreto ela pode mudar de idéia e ir votar ou simplesmente negar o que eu estou dizendo.
sábado, 4 de setembro de 2010
OS NAÚFRAGOS
Quem viu, viu. Quem não viu, perdeu um baita dum espetáculo. Dois atores recriam a história de Dom Quixote e Sancho Pança. Imagens belíssimas, atores afinadíssimos, direção impecável. Lamentavelmente tinha pouco público na apresentação única em Porto Alegre. Se por acaso a peça voltar à cidade não deixe de assistir.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
O TEATRO SEGUNDO YEATS
"Quero criar para mim mesmo um teatro impopular e uma audiência que seja como uma sociedade secreta, onde a admissão seja por favor e nunca para muitos: ali uns poucos iniciados experimentarão a arte misteriosa, sempre evocando ou quase evocando, nos que o compreendem, coisas ternamente amadas, fazendo seu trabalho por sugestão e não por declaração direta, uma complexidade de ritmos, cores e gestos que permeia o espaço não como intelecto, mas como memória e profecia."
William Butler Yeats (1865-1939) citado por Marvin Carlson em Teorias do Teatro
sábado, 26 de junho de 2010
SEGUNDO TEMPO: MADUREIRA 2 X ELES 2
Na noite seguinte, segundo tempo: assisti ao outro espetáculo de João Pedro Madureira: Agora Eu Era, em cartaz na SALA 309 da Usina do Gasômetro. Eu já havia visto, na mesma sala, um ensaio aberto da peça. Obviamente, cresceu bastante. Ganhou em clareza, ficou mais limpa.
A peça também ganhou figurinos novos e uma nova ambientação cênica. Os figurinos criados por Francisco Macalão são de extremo bom gosto, têm plasticidade, são delicados e oferecem beleza à cena. Combinam com a ambientação cenográfica que segue pela mesma linha. Ambos não interferem no espetáculo, no sentido que não querem aparecer mais do que a própria peça. As intervenções em vídeo nada acrescentam, aparecem mais como um modismo incomodo do que como um recurso importante.
Os quatro atores estão bem afinados, apesar da substituição de um dos atores. O quarteto se joga com força e intensidade durante o tempo inteiro. Para o bem e para o mal. As interpretações são bastante convincentes e todos parecem defender com garra as propostas da direção. Diego Bittencourt, que eu conheço de outros carnavais, ainda tem que trabalhar seus problemas vocais, mas cresceu muito desde a última vez que o vi em cena. Lucas Sampaio, meu muito conhecido, exagera um pouco e representa até quando está simplesmente fazendo o giro-sufi.
Tudo é bem marcado, limpo e definido. Mas, mesmo assim o espetáculo não me tocou. E como o que conta são as sensações que um espetáculo produz no espectador, impossível não comparar uma peça com outra, e perceber que o problema está na fraca dramaturgia que fundamenta esta peça. Nitidamente, o “texto” de Agora eu Era não tem, nem de longe, a mesma potência que se encontra em Parasitas. As descobertas do filho Camilo são primárias, os problemas familiares são pueris e os sentimentos são óbvios. Resultado: 2X2. Se tiver que escolher, veja Parasitas. Se quiser conhecer as boas propostas de Madureira, veja as duas.
MADUREIRA 1 X ELES 0
Foto: Jorge Scherer
Vi Parasitas no Instituto Goethe. Corre lá que talvez ainda de tempo de ver. Se já acabou, espere e vá ver na Álvaro Moreyra. Informe-se sobre a nova temporada.
O texto é de dramaturgo alemão Marius von Mayenburg. O texto é tão inteligente e tão carregado de um humor caústico (e agora: caústico é com ou sem acento? problemas com a reforma ortográfica), que lá pelas tantas a gente cansa um pouco. É moderno, fragmentado, forte, e plenamente eficaz, no sentido de que interessa ao espectador porque fornece pistas sobre a história, ou melhor, sobre uma história que você constrói junto com o autor. Mas, sabe quando você já entendeu a "história", e o autor continua explicando-a mais um pouco? Pois é justamente aí que cansa.
A direção é de João Pedro Madureira, que teve sua proposta escolhida entre outras nove e foi contemplado no Concurso para Novos Diretores de Teatro, promovido pelo Goethe e pela Coordenação de Artes Cênicas. Topou o desafio de encenar a peça num prazo relativamente curto com uma grana apertada. O trabalho é íntegro, moderno e acentuadamente inteligente. Madureira mostra seu talento. Acompanhando o texto de Mayengurb, o diretor coloca tanta "marquinha" de efeito na peça que chega uma hora que a gente cansa um pouco de tanta inteligência e criatividade. Trabalha muito bem com focos múltiplos e colabora com o autor ao prender a atenção da platéia.
Mas o que ganha a gente mesmo, o que mais chega a platéia, pelo menos o que mais me atingiu, foram as preciosas interpretações de Patrícia Soso e Priscilla Colombi. Que beleza. Que força magnética. Assim dá gosto de ir ao teatro. Léo Maciel, de quem gostei tanto em Clowssicos, parece preso numa camisa-de-força, e não é por representar um paraplégico. Apresenta uma interpretação descontinua, sem ritmo, que muitas vezes perde força e atração. Francisco Gick é o velho Multscher só porque está escrito no texto e é falado na peça. Não convence nem aqui nem na China.
A tendência é a peça crescer na temporada da Álvaro. Vale à pena conferir. Com certeza, a platéia presente na sessão que assisti, mostrou-se interessada nestes personagens de Mayenburg, cuja relação se caracteriza pela sentença: ruim comigo, pior sem-migo.
sábado, 12 de junho de 2010
TEATRO PÚBLICO TEM TAXA?
Tem. Quer dizer, já teve, depois não teve mais e agora tem de novo. Na Prefeitura do Fogaça e Fortunati tem. E é cara. Prejudicial e desanimadora, eu diria.
Trata-se de uma taxa que pode ser discutida sobre mais de um aspecto. É uma taxa que pode ou não ser cobrada dependendo do entendimento de quem tem poder para aplicá-la. É uma taxa que é considerada injustiça por grande parte da classe teatral. Trata-se de um teatro público, onde se é forçado a dar ingressos para funcionários públicos. Os teatros são destinados a todas as espécies de espetáculos de artistas portoalegrenses, e por isso mesmo não têm uma "cara".
Para colocar, por exemplo, o espetáculo Solos Trágicos em cartaz por 10 noites no Teatro Renascença, o grupo Depósito de Teatro teve que desembolsar 900 reais, como pode ser observado no comprovante acima. Em se tratando de um espetáculo nitidamente de investigação teatral, hermético, destinado a um pequeno público frequentador assíduo de teatro, àquelas poucas pessoas que dão preferência ao teatro chamado de pesquisa, é muito caro. Representa mais de 75% do dinheiro arrecadado na bilheteria.
Sabendo das características do seu espetáculo e sabendo do custo do teatro, porque este tipo de grupo pede datas neste espaço? Simples, porque quer mostrar seu trabalho e não existe outras possibilidades. Tem que forçosamente arriscar e aceitar as regras do jogo. Acontecem casos de grupos assumirem dívidas.
E a comissão que distribui as datas desconhece o teor das peças que contempla? Claro que não. Para concorrer a uma sala pública, o grupo tem que apresentar um projeto descrevendo minuciosamente o espetáculo. Além disso, a comissão é formada por "gente de teatro", então, é impossível que eles não saibam as chances que a peça tem de faturar ou não. Pelo menos numa rápida estimativa. Por que, então dão o teatro para este tipo de peça? Porque têm que ser democráticos, tem que atender a todos os tipos de demandas. E o teatro é público mesmo. Se não tiver público, azar.
Cabe salientar que, se esta taxa não beneficia os grupos, ela também não beneficia ninguém. Nem mesmo ao poder público. Tampouco aos contribuintes. É óbvio que não é a quantia arrecadada que sustenta os teatros. A parcela arrecadada é ínfima. A verba também não garante que o grupo receba o teatro com 100% de condições técnicas. Pelo contrário. A mesa de luz do Teatro Renascença, por exemplo, tem 15 anos de atividade e está cheia de problemas. Que benefício a taxa oferece ao público? Ingressos mais acessíveis? Não. Uma cota de cortesias distribuídas através de senhas? Também não. Nenhum benefício. A não ser para os funcionários da Prefeitura.
Por que não inventar uma maneira mais inteligente e menos onerosa de cobrar do grupo uma taxa pela ocupação dos seus teatros? Quem sabe aumentar as opções. Neste caso o grupo poderia escolher pagar com ingressos cortesia ou em dinheiro. Seria a possibilidade mais óbvia. Devem existir outras. Com certeza, seria mais uma forma que a Prefeitura encontraria de incentivar, ao invés de desestimular, a realização de peças que envolvem a pesquisa teatral e outros tipos de teatro que não são tão apetecíveis aos gostos médios do público.
Aí está uma ação que poderia ser encampada pela Coordenação de Artes Cênicas, que tem por objetivo estimular a produção e a distribuição do teatro em Porto Alegre, criando formas de atender beneficamente os artistas e o público da cidade.
sábado, 5 de junho de 2010
SERVIÇO OU DESSERVIÇO?
Todo mundo sabe que o SESC faz mais coisa pela cultura do que a Secretaria de Estado da Cultura. O programa ArteSESC é uma maravilha. O projeto Palco Giratório também é uma iniciativa genial. Mas e a programação? Será que com peças como esta aí em cima o SESC está prstando um serviço à cultura? Mesmo? Será que assim o SESC está colaborando para, por exemplo, a formação de platéia? De que adianta as boas e importantes peças que aparecem no Palco Giratório, se ao mesmo tempo coloca em circulação esta comédia para toda a família?
Antes que alguém me chame de preconceituoso por estar julgando um espetáculo apenas pelo cartaz, já que não vi a peça, quero dizer apenas que a foto me remete a um tipo de teatro que lembra uma farsa, uma comédia ligeira, provavelmente de temática rural, com personagens facilmente reconhecíveis pelo público e interpretações baseadas em tipos e clichês. de fácil compreensão. Poderíamos dizer que se trata de um besteirol. Apenas estou utilizando este cartaz como ilustração para chamar atenção que este tipo de espetáculo cômico (de qualidade ou não, não é isso que está em questão), estas comédias leves, estão aparecendo em grande número na programação do ArteSESC. E encontramos platéias despreparadas para assistir um espetáculo denso. Isso determina um tipo de produção e estimula um certo tipo de gosto ao público médio. O que está e jogo é avaliar e repensar a tremenda responsabilidade pela cultura que está sendo distribuída pelo ArteSESC.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
UM TEATRO QUE DIZ "MERDRA"
Este, no centro da foto, é Jean Vilar, em 1968, três anos antes de sua morte. Ele foi um ator, diretor e uma das personalidades mais influentes do teatro francês. Refletindo sobre o Festival de Avignon, criado por ele, escreveu:
"Claro que um artista deve, antes de qualquer coisa, compreender as realidades e necessidades do homem de seu tempo. Contudo, o teatro somente é válido, tal como a poesia e a pintura, na medida em que, precisamente, não cede aos hábitos, aos gostos, às necessidades, com frequencia gregários, da massa. Ele só interpreta bem seu papel, só é útil aos homens se abala suas manias coletivas, luta contra suas escleroses, diz-lhes como o pai Ubu: Merdra!"
É isso aí, Vilar.
Esta citação inaugura aqui no blog a série Reflexões Alheias.
terça-feira, 1 de junho de 2010
FEBRE DE MOLIERE - O AVARENTO
E lá fui eu assistir O Avarento. Confesso que, principalmente, para ver em cena alguns amigos, colegas de profissão. Elison Couto, antigo colega de vários elencos; Plínio Marcos, velho companheiro de Depósito de Teatro; e Lúcia Bendatti, ou Lucinha para os íntimos, a quem já tive oportunidade de dirigir em Boca de Ouro. Ainda bem que todos meus amigos estão muito bem na peça (o quê não dá pra se dizer de todo o elenco). Plínio, que está entrando agora, e Elison, apenas corretos. Nem sempre suas gags se traduzem em risadas da platéia. Mas, Lucinha está matando a pau. Tira excelente partido de sua personagem, e não tem chute disperdiçado. Bola na rede. Joga com a platéia, dá uma que outra apeladinha, mas faz o público rir, o que, afinal de contas, é o fundamento da comédia. A peça é dirigida por Gilberto Fonseca, que optou por fazer uma peça de Molière como se estivéssemos vivendo na época de Molière. Uma espécie de reconstituição arqueológica. Figurinos de época, salamaleques à la Luís XIV, e mais um conjunto de velharias que contaminam a interpretação dos atores e engessam o espetáculo deixando-o com sabor de mofo. A encenação não resistiria uma ánalise mais aprofundada. O texto é datado e previsível. Se agrada ao público talvez seja porque eles (a platéia) também tenha em seu imaginário o teatro feito na época de Molière, ou no máximo, um teatro do século XIX. É bonito de se ver, mas cansa na primeira meia hora porque se sabe que vai continuar assim até o final. De minha parte, deixaria Molière descansando nas glórias do passado.
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