Mostrando postagens com marcador Daniela Carmona. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Daniela Carmona. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de maio de 2009

CLOWNSSICOS, A MONTAGEM II



CLOWNSSICOS está de volta. Recauchutada (no bom sentido), a peça criada e dirigida por Daniela Carmona, que estreou em 2004, como espetáculo de final de curso do TEPA, retorna à cartaz em montagem profissional da Cia do Giro, com financiamento do Fumproarte. O enredo, clowns interpretam clássicos da dramaturgia universal, é raso, batido. Recurso muito usado no teatro e que aparece em diversas peças, como por exemplo, A Comédia dos Amantes, roteiro de Luís Arthur Nunes, dirigido por Oscar Simch. Daniela Carmona assina novamente o roteiro, adaptação e direção da encenação, além de atuar como uma espécie de protagonista, ou, conforme o seu clow, a que mais aparece. As adaptações das histórias clássicas buscam sempre o riso fácil, mas nem sempre são engraçadas, e utilizam em demasia a figura do narrador, o que prejudica o andamento da peça. Talvez os clowns de Daniela devem-se permanecer com "os temas "menores" que envolvem o riso" e daí fossem bem mais engraçados. O elenco tem três nomes fortes: a própria Daniela, Adriano Basegio e Arlete Cunha. Os outros são João Pedro Madureira, Léo Maciel e Larissa Sanguiné. O primeiro tem que se aplicar mais, muito mais. Os dois últimos, Léo e Larissa, eram formandos na montagem de 2004, e agora se esbaldam divertindo-se pra valer e arrancando bons momentos e risadas da platéia. São os melhores apesar de valerem-se durante todo o espetáculo das mesmas gags e dos mesmos truques. Léo tem uma impagável "cara de criança cagada". Minha honorável amiga Arlete Cunha está deslocada. Não rende e seu clown é o mais apagado da peça. Em geral achei a peça excessivamente gritada. Ou talvez, eu estivesse muito perto do palco. Logo me cansei do roteiro repetitivo e da marcação pobre da peça. Antônio Rabadan se sai melhor com os figurinos do que com o cenário que é apenas uma prática, bonita e alegre ambientação para o espetáculo. A cena de tecido é desnecessária. Assim como achei extremamente desnecessário e gratuito aquele final surpreendente. Confesso que não entendi. Pra quê? Desafiar as estruturas? Romper com a quarta parede? Chocar o público?Enfim, é um espetáculo honesto, onde aparecem: uma entrega dos atores durante todo espetáculo; uma tentativa de realizar uma comédia acima da média portoalegrense; e sem dúvida, uma vontade intensa de fazer teatro. Parabéns a todos.
M.F.

MAIS UM SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO



Quando as cortinas do Teatro Renascença se abrem e surgem os primeiros sons, e inicia-se a cena de abertura desta nova montagem de O SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO, dirigida a quatro mãos por Daniela Carmona e Adriano Basegio, tem-se a maravilhosa impressão de que participaremos de um espetáculo inesquecível. A abertura é simplesmente primorosa em todos os seus elementos cênicos e prenuncia a magia e encantamento que se irradiarão do grande carvalho da floresta em direção a platéia. Muito acertadamente a dupla de diretores aposta na fábula como centro da concepção do espetáculo e como diz o jornalista Renato Mendonça, é "impossível você não se sentir imerso em um ambiente de sonho, perdido (ou achado) em uma floresta".
O crítico literário Harold Bloom diz que Shakespeare escreveu esta obra "provavelmente, sob encomenda, para homenagear um casamento entre nobres" e segue afirmando que trata-se, sem dúvida, de sua primeira obra-prima, perfeita, uma de suas peças que apresentam força e originalidade admiráveis". Do alto da minha ignorância, me permito discordar do professor Bloom. Se pensarmos em termos de análise literária são inegáveis e perceptíveis os méritos estilísticos do texto e indiscutível a genialidade do autor inglês. Mas, colocando-me apenas como um mero espectador que recebe uma encenação do texto em pleno século XXI, fica difícil não ver no texto a ingenuidade de uma novela das sete e uma excessiva falação literária associada a uma repetição de idéias manjadas.
Peço antecipadas desculpas por traçar, às vezes, comparações entre esta montagem e aquela realizada pela diretora Patrícia Fagundes, mas devido a proximidade temporal de uma com a outra isto trona-se inevitável, e acredito que não há espectador que tenha visto as duas peças, que não faça semelhante analogia entre os dois espetáculos. Tudo isso para dizer que Antonio Rabadan, bem ao contrário dos elementos do outro "Sonho...", desta vez acerta em cheio na concepção visual do espetáculo. Cenário e figurino contribuem tremendamente para fundamentar a concepção dos diretores. As peças do figurino são, separadamente pequenas obras de arte, e no conjunto compõem a atmosfera perfeita para o enlevo da platéia. O cenário que em Clowssicos era apenas prático, aqui transforma-se nos diversos ambientes sem perder a magia e sem deixar de exercer sua força. Todos estes elogios também devem ser estendidos para a acertadíssima trilha sonora que tem nada mais, nada menos que o nome excelente músico Fábio Mentz. O tarimbado iluminador Fernando Ochôa, na minha opinião, poderia ter concebido uma luz ainda mais apurada para o espetáculo, não se limitando a fazer uma luz apenas bonita e eficiente. Não que eu ache que a luz tenha que aparecer, mas diante soa outros elementos do espetáculo, me parece que a iluminação não brilha como poderia. Mas sei que a luz depende de equipamentos, por isso sou sempre cuidadoso ao falar deste assunto.
A dupla de diretores, como ja disse, acerta na concepção onírica, silvestre e um tanto lasciva, mas descuida da direção dos atores quando permite que as interpretações sejam bastante irregulares. O ritmo do espetáculo vai caindo ao decorrer do tempo junto com o interesse do público, tanto por causa do longo texto, quanto pela ausência de novos estímulos cênicos e cômicos e pela carência de variações nos ritmos da peça. Ao contrário do "Sonho..." da Patrícia, que investia muito mais na comicidade, aqui a parte cômica fica relegada somente a algumas personagens ou núcleos de personagens, e isto resulta em mais lirismo e romantismo e em menos comédia.
No elenco vale destacar positivamente a presença viva e simpática de Adriano Basegio como Puck; da minha queridíssima super atriz Arlete Cunha, em plena forma, que, como diz Renato Mendonça, "resplandece" no papel de Novelo e a jovem Fernanda Nascimento, que empresta carisma e chama atenção para sua fada. O excelente ator Álvaro Rosacosta se apresenta acomodado, exercendo o que eu chamo de interpretação apenas correta e protocolar. Saudade daquele Álvaro do Beijo no Asfalto.
Assim, apesar de um pouco cansativo na sua última meia hora, este "Sonho numa Noite de Verão" tem méritos suficientes para encantar os espectadores e a Cia. do Giro merece mais uma vez os sinceros aplausos por mais esta criação.
M.F.