Meu querido professor Luiz Paulo Vasconcellos assina a direção do espetáculo "FIM DE JOGO", de Samuel Beckett, com a presença de Zé Adão Barbosa à frente de um jovem elenco. A montagem estreou em junho de 2007 inaugurando a Sala de Apresentações do Tepa (Teatro Escola de Porto Alegre).O diretor é figura carimbada na história do teatro portoalegrense, professor universitário, duas vezes coordenador de artes cênicas, autor de um dicionário de teatro e dono de um extenso currículo como diretor e ator. Conheci-o pelos idos de 1976 quando foi meu professor e tive oportunidade de assistir vários de seus trabalhos desde aquela época. Na encenação deste "jogo" beckttiano me parece que o Prof. Luiz Paulo, não quis arriscar um milímetro das suas fichas. Construiu uma montagem esquemática, quadradinha, eficiente, comunicativa seguindo fielmente as rubricas e indicações do autor. É quase um manual para se entender Beckett. É uma peça bem feita, com tudo no seu lugar, orientada por quem entende do riscado, por alguém que conhece a carpintaria teatral mas prefere ficar na comodidade careta do que procurar novos sentidos e possibilidades. Para quem, assistiu a inesquecível montagem da Terreira da Tribo, com a hors concours Arlete Cunha no papel Hamm e Paulo Flôres vivendo Clov, ou a montagem de Rubens Rusche que esteve na terceira edição do PoA em Cena, em 1996, ou ainda, a belo ambiente criado para a encenação de Gerald Thomas, esta atual versão da peça nada acrescenta. Aliás, só não deixa a desejar, pela interpretação irretocável do excelente ator Zé Adão Barbosa. Com certeza auxiliado pela talentosa atriz Sandra Dani e pela caracterização precisa criada por Nikki, um verdadeiro mago da maquiagem, Zé consegue em pequenos detalhes de voz e expressão nos comunicar a dimensão da amargura, tédio, ressentimento e inutilidade da vida, contida nesta que é uma das peças mais conhecidas de Samuel Beckett. Um agradabilíssimo prazer assistir a suave entrega de Zé Adão Barbosa em cena. Jeffie Lopes, um pouco pela sua juventude, outro tanto por sua ansiedade e excesso de tensão, tem dificuldade em transmitir o drama vivido por Clov. Não comunica a dimensão humana da personagem. Já os pais de Hamm, Crissiani Sgarbi e Vinicius Meneguzzi, se beneficiam da caracterização e aparecem bem em seus latões. O cenário criado pelo diretor e por Jeffie Lopes imita a peça e segue as determinações e exigências do autor, tornando-se apenas um arremedo do que poderia ser o ambiente que abriga o embate entre Hamm e Clov. Peca na altura, como aliás a maioria dos cenários das peças de Porto Alegre. E, peca na cor, que, como disse uma amiga minha, é "cor de cocô". A iluminação do criativo Eduardo Kraemer é bonita e eficiente. Todos estão de parabéns pela realização. Um espetáculo sólido, honestíssimo, que conta com a interpretação poderosa de Zé Adão Barbosa e a mão segura do Prof. Luiz Paulo. Parabéns ao Tepa pela iniciativa de produzir um espetáculo e inaugurar sua Sala de apresentações.
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
FIM DE JOGO
Meu querido professor Luiz Paulo Vasconcellos assina a direção do espetáculo "FIM DE JOGO", de Samuel Beckett, com a presença de Zé Adão Barbosa à frente de um jovem elenco. A montagem estreou em junho de 2007 inaugurando a Sala de Apresentações do Tepa (Teatro Escola de Porto Alegre).O diretor é figura carimbada na história do teatro portoalegrense, professor universitário, duas vezes coordenador de artes cênicas, autor de um dicionário de teatro e dono de um extenso currículo como diretor e ator. Conheci-o pelos idos de 1976 quando foi meu professor e tive oportunidade de assistir vários de seus trabalhos desde aquela época. Na encenação deste "jogo" beckttiano me parece que o Prof. Luiz Paulo, não quis arriscar um milímetro das suas fichas. Construiu uma montagem esquemática, quadradinha, eficiente, comunicativa seguindo fielmente as rubricas e indicações do autor. É quase um manual para se entender Beckett. É uma peça bem feita, com tudo no seu lugar, orientada por quem entende do riscado, por alguém que conhece a carpintaria teatral mas prefere ficar na comodidade careta do que procurar novos sentidos e possibilidades. Para quem, assistiu a inesquecível montagem da Terreira da Tribo, com a hors concours Arlete Cunha no papel Hamm e Paulo Flôres vivendo Clov, ou a montagem de Rubens Rusche que esteve na terceira edição do PoA em Cena, em 1996, ou ainda, a belo ambiente criado para a encenação de Gerald Thomas, esta atual versão da peça nada acrescenta. Aliás, só não deixa a desejar, pela interpretação irretocável do excelente ator Zé Adão Barbosa. Com certeza auxiliado pela talentosa atriz Sandra Dani e pela caracterização precisa criada por Nikki, um verdadeiro mago da maquiagem, Zé consegue em pequenos detalhes de voz e expressão nos comunicar a dimensão da amargura, tédio, ressentimento e inutilidade da vida, contida nesta que é uma das peças mais conhecidas de Samuel Beckett. Um agradabilíssimo prazer assistir a suave entrega de Zé Adão Barbosa em cena. Jeffie Lopes, um pouco pela sua juventude, outro tanto por sua ansiedade e excesso de tensão, tem dificuldade em transmitir o drama vivido por Clov. Não comunica a dimensão humana da personagem. Já os pais de Hamm, Crissiani Sgarbi e Vinicius Meneguzzi, se beneficiam da caracterização e aparecem bem em seus latões. O cenário criado pelo diretor e por Jeffie Lopes imita a peça e segue as determinações e exigências do autor, tornando-se apenas um arremedo do que poderia ser o ambiente que abriga o embate entre Hamm e Clov. Peca na altura, como aliás a maioria dos cenários das peças de Porto Alegre. E, peca na cor, que, como disse uma amiga minha, é "cor de cocô". A iluminação do criativo Eduardo Kraemer é bonita e eficiente. Todos estão de parabéns pela realização. Um espetáculo sólido, honestíssimo, que conta com a interpretação poderosa de Zé Adão Barbosa e a mão segura do Prof. Luiz Paulo. Parabéns ao Tepa pela iniciativa de produzir um espetáculo e inaugurar sua Sala de apresentações.sábado, 16 de maio de 2009
CLOWNSSICOS, A MONTAGEM II

CLOWNSSICOS está de volta. Recauchutada (no bom sentido), a peça criada e dirigida por Daniela Carmona, que estreou em 2004, como espetáculo de final de curso do TEPA, retorna à cartaz em montagem profissional da Cia do Giro, com financiamento do Fumproarte. O enredo, clowns interpretam clássicos da dramaturgia universal, é raso, batido. Recurso muito usado no teatro e que aparece em diversas peças, como por exemplo, A Comédia dos Amantes, roteiro de Luís Arthur Nunes, dirigido por Oscar Simch. Daniela Carmona assina novamente o roteiro, adaptação e direção da encenação, além de atuar como uma espécie de protagonista, ou, conforme o seu clow, a que mais aparece. As adaptações das histórias clássicas buscam sempre o riso fácil, mas nem sempre são engraçadas, e utilizam em demasia a figura do narrador, o que prejudica o andamento da peça. Talvez os clowns de Daniela devem-se permanecer com "os temas "menores" que envolvem o riso" e daí fossem bem mais engraçados. O elenco tem três nomes fortes: a própria Daniela, Adriano Basegio e Arlete Cunha. Os outros são João Pedro Madureira, Léo Maciel e Larissa Sanguiné. O primeiro tem que se aplicar mais, muito mais. Os dois últimos, Léo e Larissa, eram formandos na montagem de 2004, e agora se esbaldam divertindo-se pra valer e arrancando bons momentos e risadas da platéia. São os melhores apesar de valerem-se durante todo o espetáculo das mesmas gags e dos mesmos truques. Léo tem uma impagável "cara de criança cagada". Minha honorável amiga Arlete Cunha está deslocada. Não rende e seu clown é o mais apagado da peça. Em geral achei a peça excessivamente gritada. Ou talvez, eu estivesse muito perto do palco. Logo me cansei do roteiro repetitivo e da marcação pobre da peça. Antônio Rabadan se sai melhor com os figurinos do que com o cenário que é apenas uma prática, bonita e alegre ambientação para o espetáculo. A cena de tecido é desnecessária. Assim como achei extremamente desnecessário e gratuito aquele final surpreendente. Confesso que não entendi. Pra quê? Desafiar as estruturas? Romper com a quarta parede? Chocar o público?Enfim, é um espetáculo honesto, onde aparecem: uma entrega dos atores durante todo espetáculo; uma tentativa de realizar uma comédia acima da média portoalegrense; e sem dúvida, uma vontade intensa de fazer teatro. Parabéns a todos.
M.F.
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