Mostrando postagens com marcador Gilson Vargas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gilson Vargas. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de maio de 2009

FELIZ ENTRADA EM CENA

Feliz de mim que fui agraciado com este belo espetáculo. Confesso que sempre vou ao teatro com o espírito de gostar do que vou ver. Em relação a "Crucial", me senti estimulado a gostar desde o convite que recebi. Uma linda proposta gráfica que em mim despertou a curiosidade de assistir a peça. Havia também a obrigação de amigo de ver a Vanise Carneiro. Pois gostei do trabalho dela em cena. Gostei muito. Vejo maturidade. Vejo entrega. Cresceu imensamente do trabalho anterior (MacBeth, da Patrícia Fagundes) para este. Crucial é algo ou alguma coisa ou alguém ou alguma situação muito importante, capital, mas é também sinônimo de difícil, árduo, decisivo. A mim parece que a Vanise foi desafiada neste trabalho. Desafiada pelo texto diferente e ousado de Paulo Scott. Desafiada pela direção de Gilson Vargas. E, porque não, pela atuação exímia e exemplar do Marcos Contreras que tá arrasando. Tem momentos de raro brilho. Aqueles momentos em que o teatro acontece. Então ela caiu num daqueles momentos decisivos = crucial. O Gilson, vai entrando com o pé direito na direção teatral, e de quebra traz do cinema alguns cortes e efeitos muito inventivos e uma estética que permeia a peça. O espetáculo tem uma limpeza de detalhes e uma clareza de proposta. O texto é bom, legítimo Paulo Scott, é interessante quase todo tempo. Mas não todo o tempo. Em alguns momentos ele me parece longo. O espetáculo acontece num estado crucial, num fio de navalha pavoroso, pois transita entre as fronteiras do cinema, da hq, da ficção científica, asimov, edgar allan poe, dos contos fantásticos, hoffmann, e até do teatro. Bacana. Me senti divertido e saí bem do teatro. Tão feliz quanto havia entrado. E aí parece que está o pecado do espetáculo. Ele se mantém frio, futurista, distante. A gente acompanha, mas não se envolve. Conversando com as pessoas com as quais eu estava ficou em todos uma sensação boa mas com a nítida falta de algo que ninguém soube explicar. Mas assim é o teatro.
M.F.