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terça-feira, 22 de setembro de 2009

PRÊMIO BRASKEM - POA EM CENA



Em noite de gala e festa, com todos os indicados bem trajados e prontos para subir ao palco (porque afinal, nunca se sabe qual vai ser o resultado), o grande vencedor foi o espetáculo O Sobrado, que levou o Troféu Braskem oficial e do júri popular na categoria melhor espetáculo. O prêmio de melhor direção ficou com Zé Adão Barbosa, melhor atriz para Araci Esteves e melhor ator para Daniel Colin.
É... premiação é premiação. Concordemos ou não, é dado o resultado e temos que engolir e aplaudir. Escrevi engolir, mas poderia ter escrito aceitar. Como sempre tem gente pensando mal sobre o que escrevo, esclareço que considero resultado de premiação igual a resultado de edital ou concurso: ganhe quem ganhar, o que vale é sempre o resultado que é e não aquele que eu gostaria. Do contrário, eu seria sempre premiado e todos os meus projetos seriam aprovados.
Da comissão que elegeu os vencedores faziam parte Renato Mendonça e Roger Lerina da ZH, Vera Pinto do CP e Hélio Barcellos Jr do JC. Todos reconhecidamente próximos do meio teatral. Calejados espectadores de longa data. Mas, mesmo com todo este currículo, durante o coquetel houveram várias manifestações de surpresa e até de desagrado em relação aos resultados. Posso dizer que até mesmo alguns vencedores não concordaram com prêmios recebidos por outros ganhadores. Então, é como eu digo: é mesmo assim quando se trata de premiações: tem que engolir e aplaudir.

Maravilhoso mesmo foi o pocket show do Nico Nicolaiewski. Cada vez melhor este guri. A sonoridade que extrai do piano, a suavidade da sua voz, a sua veia rockeira, tudo encanta.
Só me resta repetir a frase do Nico: parabéns aos que foram premiados e parabéns, também, aos que não o foram.
M.F.

domingo, 20 de setembro de 2009

RAINHA(S) - POA EM CENA

As Rainhas acabaram apresentando-se no Theatro São Pedro. Georgette Fadel sempre maravilhosa, inteiraça. O prazer com que ela atua é visível. A peça faz aquela conhecida e "moderna" desconstrução à la Enrique Dias em Ensaio.Hamlet e A Gaivota. Quase uma fórmula. Mas o resultado é (novamente) muito bom. As duas estão afinadíssimas.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

DOR À LA FRANCESA - POA EM CENA

Achei a primeira parte extremamente chata. Não suporto mais ouvir todo aquele bla-bla-blá europeu sobre a a segunda guerra mundial, sobre os campos de concentração e os seis milhôes de judeus mortos. É assunto por demais batido. Passei a me interessar pela peça quando o Roberto volta pra casa. A encenação vai por aquele viés da leitura dramática. Tipo as últimas experiências do Aderbal Freire Filho e suas quatro horas de leituras encenadas. A atriz é excelente, sutil.
A propósito, os franceses, invadidos na II Guerra, também mataram milhares de pessoas quando ocuparam o norte da África.
M.F.

domingo, 14 de junho de 2009

UM BANQUETE DE DISCURSOS



“A educação deve possibilitar ao corpo e à alma toda a perfeição e a beleza que podem ter”.
Platão

E como sempre faço há anos, lá fui eu assistir outra peça do Luciano Alabarse. Desta vez eu saí de casa sabendo que iria passar pelo menos quatro horas na companhia dele. Sempre acho que vale a pena. O Luciano é uma inteligência rara aqui em Porto Alegre. Ele é o único que continua fazendo teatro de quinta a domingo com casa cheia. Ele e todo o chamado teatro comercial. Só que o teatro do Luciano não se trata de comédias superficiais feitas ao gosto da classe média. Ele tornou comercial algo que não é comercial. Teatro para uma classe de alto poder aquisitivo, consumidora de arte e intelectualizada.
Dei uma olhada na platéia do Theatro São Pedro e lembrei do casal Álvaro e Eugênia Moreyra. É, ele mesmo, o Álvaro Moreyra da Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura. Pois este casal, em 1927, fundou no Rio de Janeiro, o Grupo Teatro de Brinquedo, composto por membros da alta burguesia, buscando comunicar-se com pessoas de “gosto mais elevado”. Criaram um grupo cercado de respeitabilidade. Bacana. Um teatro feito por ricos e apresentado para ricos. Acho que tem tudo a ver com a proposta do Luciano.
A primeira peça é uma leitura dramática encenada. É a entrada do banquete. Composta de pequenos embates filosóficos, frutas e vinho para aquecer a mente do espectador. Uma entrada leve, meio insossa, temperada apenas por um ou outro golpe de teatro de algum ator mais saidinho. Em geral as interpretações são exageradas ou esperadas, tipo o Marcos Contreras, repetindo a si mesmo. Mesmo Marcelo Adams, sempre um excelente ator, sofre para dar conta da verborragia da peça e tem que despender uma energia extra para que seu gênio brilhe em alguns momentos.
Intervalo.
E é servido o prato principal: O Banquete. Apesar das peripécias e ousadias inventadas pelo diretor, é um banquete meio requentado. A primeira parte aqueceu nossa mente, mas torrou o nosso saco. O nível das interpretações cai sensivelmente. Todo mundo se repete. Sandra Dani é tão boa quanto sempre. Luti Pereira é tão bom quanto sempre. Carlos Cunha e Baldissera, idem. Mas, nenhum deles nos brindam com o que têm de melhor. E com Luiz Paulo Vasconcellos retornamos ao ponto. Aí não há diálogo nem discurso que resista. Continuo gostando mais do Luciano de antes do PoA em Cena.
M.F.
FOTO: JULIO APPEL

segunda-feira, 18 de maio de 2009

ALZIRA POWER - DE VOLTA AO PASSADO



No último domingo fui ao Theatro São Pedro assistir Cristina Pereira interpretando ALZIRA POWER, peça escrita em 1969 por Antônio Bivar. Foi uma verdadeira viagem ao passado, pois no longinqüo ano de 1977, tive minha estréia como diretor justamente com esta peça. No elenco estavam Júlio Conte e Rosa Maria Lima. Velhos tempos.Antônio Bivar, participante ativo do movimento de contra-cultura dos anos 60 e 70, ganhou um prêmio Molière como autor de "ABRE A JANELA E DEIXA ENTRAR O AR PURO E O SOL DA MANHÃ". Com a grana do prêmio pegou sua mochila e foi pra Londres viver as loucuras da geração paz e amor no auge do movimento hippie, flower power, lsd, che guevara e comunidades psicodélicas. Dramaturgo considerado promissor pela crítica, escreveu uma dezena de peças, quase todas numa linha de contestação ao "estabelishment", das quais, "ALZIRA POWER" é uma das mais conhecidas.A peça, que também atende pelo título de "O Cão Siamês", teve sua estréia em 1969 e conta a história da quarentona e solitária Alzira, que depois de aposentada de seu trabalho nos Correios resolve rebelar-se contra os medíocres parâmetros de uma vidinha classe média, e despeja um pouco de sua agrassividade e toda sua libido quando recebe a visita de Ernesto, simplório vendedor de consórcios de automóveis.A versão apresentada nesta montagem, que fez sua estréia nacional no Theatro São Pedro, é absolutamente fiel ao texto e as indicações quanto ao cenário, trilha sonora, climas e figurinos utilizados. Nada de novo. A direção de Gustavo Paso se restringe a seguir tudo aquilo que é indicado pelo texto, traçando uma marcação limpa e um espetáculo apenas correto.O centro por onde gira o espetáculo é a interpretação segura da experiente atriz Cristina Pereira, que prefere explorar a faceta mais aparente e superficial de Alzira, do que descer mais profudamente pela alma da personagem. O vendedor Ernesto é interpretado por Sidney Sampaio, um ator jovem que, se por um lado, não compromete o espetáculo com sua tênue construção, por outro, em momento algum consegue emplogar o público com as idéias que tenta defender durante a peça. Ernesto é mesmo mais "fraco" do que Alzira. Sidney se comporta exatamente assim diante da verve de Cristina Pereira.Enfim, nada de novo no país Teatro. Quem foi assistir não pode reclamar que perdeu seu dinheiro e seu tempo, e aqueles que não foram também não precisam arrepender-se. Ah! O espetáculo é muitíssimo melhor do que a foto distribuída pela divulgação.
M.F.

domingo, 17 de maio de 2009

PEQUENOS MILAGRES DO FABULOSO GRUPO GALPÃO

O fabuloso Grupo Galpão vem de surpresa a Porto Alegre trazendo dois espetáculos praticamente em segredo. Fez uma apresentação de O HOMEM É UM HOMEM no estacionamento da Usina e duas de PEQUENOS MILAGRES no Theatro São Pedro. Esta última, comemora os 25 anos do Grupo Galpão e conta quatro histórias escolhidas entre as mais de 600 cartas que o Grupo recebeu a partir da campanha "Conte sua História" proposta como ponto de partida para a criação do espetáculo que foi dirigido pelo londrinense Paulo de Moraes, diretor da Armazém Cia de Teatro, atualmente estabelecida no Rio de Janeiro e conhecida entre nós pelas montagens de "Alice Através do Espelho", "Pessoas Invisíveis" e, mais recentemente, "Toda Nudez Será Castigada" que integrou a grade do último PoA em Cena. Reconhecido como um dos grandes diretores brasileiros da atualidade, Paulo de Moraes, maneja com segurança e inteligência os mecanismos da direção teatral, mas assistindo seus três ou quatro últimos trabalhos pode-se perceber certas repetições nas soluções e o surgimento de um estilo, uma receita teatral. Este espetáculo do Galpão é limpo, bem marcado, com uma concepção clara e passagens de cenas bem delineadas. A peça vai conquistando o espectador aos poucos com a história escolhida para servir de ligação entre as outras, "Cabeça de Cachorro", brilhantemente interpretada por Antônio Edson, o querido e carismático Toninho. Em "Casal Náufrago", o público ja está na mão dos atores e totalmente envolvido pela peça. O elenco do Galpão, esbanja segurança e unidade, aproveita sua maturidade para divertir-se em cena. Destacam-se as interpretações de Lydia del Picchia vivendo a esposa Cinira e o ja citado Antônio Edson que interpreta o menino João. Acima, escrevi o fabuloso Grupo Galpão. O "fabuloso" se refere ao fato de o Galpão ser uma referência clara no teatro nacional e também, já que acompanho seus trabalhos há mais de 15 anos, porque sempre, em todas as montagens, mantém um nível de excelência técnica e artística que impressiona. Ver o Galpão sempre é bom. Se, peças como "Um Trem Chamado Desejo"ou "A Rua da Amargura", não possuem o brilhantismo e carisma de "Romeu e Julieta", que foi o espetáculo que projetou nacionalmente o grupo, acho extraordinário que cada uma destas montagens mantenham para o espectador tudo o que se espera do fabuloso Grupo Galpão.
M.F.