Mostrando postagens com marcador Porto Alegre em Cena. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Porto Alegre em Cena. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

QUARTET - POA EM CENA


O XIV Porto Alegre em Cena encerra em gran finale. Não poderia ser melhor. O Espetáculo é um arraso. Simplesmente fiquei em suspenso, extasiado, estupefato. Cada quadro era mais deslumbrante do que o anterior. O teatro elevado a categoria de arte. Bob Wilson realizou uma encenação definitiva para a peça de Heiner Müller.
Quartet é uma adaptação de Heiner Müller do romance As Relações Perigosas de Choderlos de Laclos, escritor francês do século XIV que ganhou notoriedade com a publicação deste livro em forma de correspondência entre pessoas ligadas entre si.
Tudo funciona. Um show de tecnologia bem colocada. Surpreendente. Imagens belíssimas.
Isabelle Huppert está maravilhosa. O elenco é afinadíssimo, ensaiadíssimo.
Pura arte: harmonia, precisão e beleza.

domingo, 20 de setembro de 2009

RAINHA(S) - POA EM CENA

As Rainhas acabaram apresentando-se no Theatro São Pedro. Georgette Fadel sempre maravilhosa, inteiraça. O prazer com que ela atua é visível. A peça faz aquela conhecida e "moderna" desconstrução à la Enrique Dias em Ensaio.Hamlet e A Gaivota. Quase uma fórmula. Mas o resultado é (novamente) muito bom. As duas estão afinadíssimas.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O DRAGÃO - POA EM CENA

Fortíssimo. Corajoso. Emocionante. Impactante. Trágico. O Dragão.
M.F.

CRU, BEM CRU - POA EM CENA

Cru, espetáculo da Cia Teatral Atores Reunidos, de Caxias do Sul, idealizado, dirigido e muitas outras coisas por Raulino Prezzi.
Minha sugestão é colocar novamente no fogo. Tem que cozinhar mais. Está demasiadamente cru pra gente saborear. Dramaturgia fraquíssima, atuação fraquíssima. Atores despreparados para realizarem as tarefas exigidas pelo diretor e pelo espetáculo.
A peça é moralista. Pretende ser provocativa e é cheia de pudor. Amadora e quase adolescente nas suas propostas.
M.F.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A VIAGEM DE GIACOMINA - POA EM CENA


Assisti a viagem de Giacomina. É mesmo uma viagem. Fragmentos, silêncios e muita viagem. Não sei porquê, não consegui viajar na peça. Giacomina partiu e me deixou ali, sentado assistindo uma peça de teatro de bonecos de pau.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

VOCA PEOPLE

Show de vozes: todos cantam muito e muito bem, o conjunto é afinadíssimo e o som de primeira. Show de performance: uma sucessão de intervenções bem humoradas com o público, elevam o astral da platéia. Tudo é tão up que o espetáculo termina deixando todo mundo muito, muito feliz. Uma coisa Brodway.
Já o repertório nem tanto. Tem um bloco inteiro daquelas chatérrimas músicas americanas, aqueles sucessos internacionais insuportáveis.
Show de luzes: são tantas moving-ligths circulando pelo palco que chega uma hora que a gente cansa de tanto efeito de iluminação. Efeitos vazios, bem entendido.
M.F.
.

NELSON RODRIGUES BUARQUE DE HOLLANDA - POA EM CENA

Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues, com direção de Zé Henrique de Paula. A direção é limpa, bem marcada e recheada de momentos "teatrais". A inserção de canções criam hiatos e fico pensando qual a real necessidade dramática deste recurso? As muitas canções (11) às vezes nos distanciam da tragédia. Quando cantadas pelo conjunto de vozes do elenco aparecem com força e propriedade. Porém, no solos, nem sempre alcançam o objetivo lírico e/ou dramático.
O coro engraçadinho, homossexual e debochado também atenua os possíveis efeitos trágicos.
M.F.


DOR À LA FRANCESA - POA EM CENA

Achei a primeira parte extremamente chata. Não suporto mais ouvir todo aquele bla-bla-blá europeu sobre a a segunda guerra mundial, sobre os campos de concentração e os seis milhôes de judeus mortos. É assunto por demais batido. Passei a me interessar pela peça quando o Roberto volta pra casa. A encenação vai por aquele viés da leitura dramática. Tipo as últimas experiências do Aderbal Freire Filho e suas quatro horas de leituras encenadas. A atriz é excelente, sutil.
A propósito, os franceses, invadidos na II Guerra, também mataram milhares de pessoas quando ocuparam o norte da África.
M.F.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

AS NOITES DO BARQUEIRO

Numa violenta tempestade um barco vai à pique. Seu comandante consegue alcançar uma ilha e torna-se um naufrago. Da ilha enxerga um farol que se encontra no lugar para onde navegava. Sozinho e prisioneiro na ilha desabitada, o comandante divaga e reflete sobre o destino do homem, sobre o sentido da existência. Caronte. Robinson Crusoé. Tom Hanks.
Texto solo de alta carga poética dirigido pelo autor Samir Yazbek (o mesmo de O Fingidor e A Entrevista), e interpretado por Hélio Cícero, tarimbado ator que com este espetáculo festeja seus 30 anos de carreira. Ambos são oriundos do CPT de Antunes Filho.
Assisti a um ensaio do espetáculo, depois vi a estréia e a seguir, a segunda apresentação. O teatro é mesmo um ser vivo. Impressionante o crescimento da peça de uma ocasião para outra. A performance se alterou sempre para melhor. A integração dos diversos elementos do espetáculo afinou-se um pouco mais.
Na primeira noite os aplausos foram apenas protocolares. Na noite seguinte o silêncio do público era pesado e significativo e os aplausos vieram carregados de calor. A performance de Hélio Cícero foi, na primeira noite, muito técnica, exterior. Na segunda, foi quente, carregada de nuanças e força dramática.
Minhas observações sobre cada uma das apresentações chamam atenção para o fato de que o teatro além de efêmero, é extremamente sensível para se fazer acontecer. O público da segunda apresentação assistiu um espetáculo completamente diferente daquele que foi visto na noite de estréia.
Me chamou atenção o fato de que todos os elementos da peça querem aparecer com igual intensidade. É a procura da harmonia no exagero. São vários os elementos utilizados pelo diretor. Signos em profusão e completa autonomia. Assim, parece que a trilha sonora é tão importante quanto o cenário que é tão importante quanto a luz que é tão importante quanto o texto que é tão importante quanto o ator. O ator interage com praticamente todas as coisas do espetáculo, mas mesmo assim, cada um dos elementos destaca-se por si só. O cenário é muito bonito. Um tanto pret-à-porte, ou seja, serve para muitas peças. A iluminação é um ponto alto do espetáculo, mas está ali sempre presente, sempre extremamente a vista do espectador. A trilha sonora é composta de sons dissonantes, fortes. Os vários adereços que surgem de maneira surpreendente, logo se mostram uma incógnita. Cada um espectador os lê como bem entender e, penso, que muitas vezes o público não alcança os significados possíveis contidos nos adereços.

sábado, 4 de julho de 2009

ADEUS, PINA BAUSCH

Tive oportunidade de estar perto dela. Dizer a oportunidade de conhecê-la, seria um exagero. Eu estava trabalhando como diretor de palco numa das edições do Porto Alegre em Cena em que ela era uma das mega atrações do Festival. Sua peça seria apresentada no Teatro do SESI. A produção do Festival teve que aumentar o palco, pois não tinha a profundidade que Pina achava necessário que tivesse. Primeiro chegou o responsável pela montagem com um batalhão da auxiliares alemães e brasileiros. Depois, chegavam as produtoras e camareiras e todo pessoal que prepara a produção, Checavam cada item. Mais tarde chegavam os bailarinos e preparadores e ensaiadores. Ela era a última pessoa a chegar no teatro. Tinha secretária pessoal e secretária executiva. Tinha até um anotador de erros. Tinha uma estrutura que só alemães conseguem ter. Além dos japoneses, é claro.
Na última apresentação ela mandou reunir todas as pessoas que haviam trabalhado durante a realização do espetáculo e deu um singelo presente e um breve discurso de agradecimento que foi traduzido pela sua intérprete pessoal.
Claro que saber que quem está ali falando, ali na tua frente, ali te olhando nos olhos é a própria Pina Bausch já amplia e deforma totalmente a importância do evento. Dá um peso tanto para o discurso, quanto para o momento. Mas, posso jurar que emanava dela uma energia cálida, uma autoridade imanente, um carinho transcendente. Guardei o momento na minha memória. E também a camiseta pólo preta do Tahztheater Wuppertal - Pina Bausch - Porto Alegre - 2006.