domingo, 20 de setembro de 2009

RAINHA(S) - POA EM CENA

As Rainhas acabaram apresentando-se no Theatro São Pedro. Georgette Fadel sempre maravilhosa, inteiraça. O prazer com que ela atua é visível. A peça faz aquela conhecida e "moderna" desconstrução à la Enrique Dias em Ensaio.Hamlet e A Gaivota. Quase uma fórmula. Mas o resultado é (novamente) muito bom. As duas estão afinadíssimas.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O DRAGÃO - POA EM CENA

Fortíssimo. Corajoso. Emocionante. Impactante. Trágico. O Dragão.
M.F.

CRU, BEM CRU - POA EM CENA

Cru, espetáculo da Cia Teatral Atores Reunidos, de Caxias do Sul, idealizado, dirigido e muitas outras coisas por Raulino Prezzi.
Minha sugestão é colocar novamente no fogo. Tem que cozinhar mais. Está demasiadamente cru pra gente saborear. Dramaturgia fraquíssima, atuação fraquíssima. Atores despreparados para realizarem as tarefas exigidas pelo diretor e pelo espetáculo.
A peça é moralista. Pretende ser provocativa e é cheia de pudor. Amadora e quase adolescente nas suas propostas.
M.F.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

FANDO & LIS - OFF POA EM CENA

Estes dois porcos estão aí, com suas asas fechadas, só porque ainda não consegui uma boa foto da peça pra ilustrar este comentário. Ainda tem mais uma quarta pra assistir Fando & Liz lá no Ocidente, Palco Ox. Aliás, um espaço bem bacana que eu ainda não conhecia. Mas (e crítico sempre tem um "mas"), o pessoal do Ocidente tinha que colocar um equipamento de luz mais moderno e adequado ao lugar. Um lugar diferente, tão bacana, e com uma iluminação tão ruim. Tem que investir. A luz da peça é ruim, tipo: "vamos fazer o melhor com o que se têm".  E o melhor somente seria bom com um equipamento melhor.
A peça me pegou no começo, no primeiro ato. Depois foi me cansando até a exaustão. Racho a conta entre a encenação e o autor. Começo pelo autor. Fernando Arrabal (sim, o mesmo que veio no Fronteiras do Pensamento e se pegou com o Gerald Thomas), é o autor de O Arquiteto e o Imperador da Assíria, A Bicicleta do Condenado e Cemitério de Automóveis. Estas, talvez, sejam as mais famosas. Principalmente a última, depois da celébre montagem do diretor franco-argentino Victor Garcia. Mas, Arrabal possui uma extensa obra poética, cinematográfica e dramatúrgica. Entre as quais, Fando & Lis, escrita em 1955, quando o autor tinha apenas 23 anos, que é, mais ou menos, a idade de Fando, o personagem da peça. Arrisco dizer que Arrabal ainda não tinha o domínio da dramaturgia do absurdo, que veio a adquirir em O Arquiteto e o Imperador da Assíria escrito em 1966, e considerada sua mais importante e significativa e encenada obra. Assim, acho que nesta peça Arrabal comete o pecado da prolixidade e da repetição exaustiva dos mesmos temas. Peca também por tecer um teatro do absurdo muito na casca. Quase óbvio nas imagens que cria e a representação da realidade a que nos remete. Merecia cortes no texto, talvez adaptações. Como isso não foi feito, aí começam os pecados da encenação.
CONTINUA EM BREVE.
M.F.
M.F.

A VIAGEM DE GIACOMINA - POA EM CENA


Assisti a viagem de Giacomina. É mesmo uma viagem. Fragmentos, silêncios e muita viagem. Não sei porquê, não consegui viajar na peça. Giacomina partiu e me deixou ali, sentado assistindo uma peça de teatro de bonecos de pau.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

VOCA PEOPLE

Show de vozes: todos cantam muito e muito bem, o conjunto é afinadíssimo e o som de primeira. Show de performance: uma sucessão de intervenções bem humoradas com o público, elevam o astral da platéia. Tudo é tão up que o espetáculo termina deixando todo mundo muito, muito feliz. Uma coisa Brodway.
Já o repertório nem tanto. Tem um bloco inteiro daquelas chatérrimas músicas americanas, aqueles sucessos internacionais insuportáveis.
Show de luzes: são tantas moving-ligths circulando pelo palco que chega uma hora que a gente cansa de tanto efeito de iluminação. Efeitos vazios, bem entendido.
M.F.
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NELSON RODRIGUES BUARQUE DE HOLLANDA - POA EM CENA

Senhora dos Afogados, de Nelson Rodrigues, com direção de Zé Henrique de Paula. A direção é limpa, bem marcada e recheada de momentos "teatrais". A inserção de canções criam hiatos e fico pensando qual a real necessidade dramática deste recurso? As muitas canções (11) às vezes nos distanciam da tragédia. Quando cantadas pelo conjunto de vozes do elenco aparecem com força e propriedade. Porém, no solos, nem sempre alcançam o objetivo lírico e/ou dramático.
O coro engraçadinho, homossexual e debochado também atenua os possíveis efeitos trágicos.
M.F.


DOR À LA FRANCESA - POA EM CENA

Achei a primeira parte extremamente chata. Não suporto mais ouvir todo aquele bla-bla-blá europeu sobre a a segunda guerra mundial, sobre os campos de concentração e os seis milhôes de judeus mortos. É assunto por demais batido. Passei a me interessar pela peça quando o Roberto volta pra casa. A encenação vai por aquele viés da leitura dramática. Tipo as últimas experiências do Aderbal Freire Filho e suas quatro horas de leituras encenadas. A atriz é excelente, sutil.
A propósito, os franceses, invadidos na II Guerra, também mataram milhares de pessoas quando ocuparam o norte da África.
M.F.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

AS NOITES DO BARQUEIRO

Numa violenta tempestade um barco vai à pique. Seu comandante consegue alcançar uma ilha e torna-se um naufrago. Da ilha enxerga um farol que se encontra no lugar para onde navegava. Sozinho e prisioneiro na ilha desabitada, o comandante divaga e reflete sobre o destino do homem, sobre o sentido da existência. Caronte. Robinson Crusoé. Tom Hanks.
Texto solo de alta carga poética dirigido pelo autor Samir Yazbek (o mesmo de O Fingidor e A Entrevista), e interpretado por Hélio Cícero, tarimbado ator que com este espetáculo festeja seus 30 anos de carreira. Ambos são oriundos do CPT de Antunes Filho.
Assisti a um ensaio do espetáculo, depois vi a estréia e a seguir, a segunda apresentação. O teatro é mesmo um ser vivo. Impressionante o crescimento da peça de uma ocasião para outra. A performance se alterou sempre para melhor. A integração dos diversos elementos do espetáculo afinou-se um pouco mais.
Na primeira noite os aplausos foram apenas protocolares. Na noite seguinte o silêncio do público era pesado e significativo e os aplausos vieram carregados de calor. A performance de Hélio Cícero foi, na primeira noite, muito técnica, exterior. Na segunda, foi quente, carregada de nuanças e força dramática.
Minhas observações sobre cada uma das apresentações chamam atenção para o fato de que o teatro além de efêmero, é extremamente sensível para se fazer acontecer. O público da segunda apresentação assistiu um espetáculo completamente diferente daquele que foi visto na noite de estréia.
Me chamou atenção o fato de que todos os elementos da peça querem aparecer com igual intensidade. É a procura da harmonia no exagero. São vários os elementos utilizados pelo diretor. Signos em profusão e completa autonomia. Assim, parece que a trilha sonora é tão importante quanto o cenário que é tão importante quanto a luz que é tão importante quanto o texto que é tão importante quanto o ator. O ator interage com praticamente todas as coisas do espetáculo, mas mesmo assim, cada um dos elementos destaca-se por si só. O cenário é muito bonito. Um tanto pret-à-porte, ou seja, serve para muitas peças. A iluminação é um ponto alto do espetáculo, mas está ali sempre presente, sempre extremamente a vista do espectador. A trilha sonora é composta de sons dissonantes, fortes. Os vários adereços que surgem de maneira surpreendente, logo se mostram uma incógnita. Cada um espectador os lê como bem entender e, penso, que muitas vezes o público não alcança os significados possíveis contidos nos adereços.

sábado, 5 de setembro de 2009

O BAIRRO


Na foto, que eu não sei de quem é, estão Marco Antônio Sório e Sérgio Lulkin numa cena da peça O Bairro que eu tive o imenso prazer de assistir neste feriadão teatral que me propus a fazer. Não gosto de soldados marchando, sabia que não viajaria no feriado, só me restava ir ao teatro. Comecei bem com a peça da Ana Paula Zanandréa. O segundo dia, sexta-feira, foi um golaço. Mais uma aula de teatro essencial. Fiquei maravilhado com a sinceridade das interpretações, se é que se pode usar esta palavra "interpretação" para o trabalho apresentado pelo conjunto de atores da peça. Essencial. O texto é tão inteligente que às vezes se repete. Apesar dos vários nomes e personagens a peça poderia ser um monólogo. Mas, acaba sendo melhor fazer um monólogo com cinco atores do que com apenas um. O risco de ficar chato é bem menor. A peça é muito boa. Se voltar, não percam. Um exemplo de excelente teatro.
M.F.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O PAÍS DE HELENA - TEATRO ESSENCIAL

Foi a melhor foto que eu achei. Acho que a foto é do Kiran, porque ele é que anda fotografando a peça desde antes do seu nascimento. Na foto aparecem Elisa Volpatto e Priscilla Colombi. Excelente a direção da Aninha (Ana Paula Zanandréa). Excelentes as atrizes, mas, sem dúvida, a segunda citada é impagável no divertido jogo que propõe à platéia. O primeiro ato é o melhor de todos. O segundo está sem ritmo. E o terceiro, que deve o ser o que menos foi passado, carece de aprofundamento. As atrizes apenas repetem parte do repertório já utilizado.
Assisti a peça em uma de suas apresentações obrigatórias. Era o início do processo. Estava monótono. As atrizes já traziam em si a chama, mas a direção ainda procurava caminhos. Agora é outra coisa. O espetáculo se concretiza. Cria (junto com as atrizes, é claro) uma forte empatia com o público. Tem limpeza e precisão. Saiu boa esta guria.
Espertamente, a Aninha fez um monólogo com duas atrizes. Dividiu o papel único entre as duas intérpretes e escapou dos problemas de encenar um monólogo.
Modesto Fortuna

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SOBRE A ARTE DO ATOR

O time que aparece aí na foto: à frente Sandra Dani, ao seu lado Sérgio Lulkin, mais atrás da esquerda para a direita: Tatiana Cardoso, Nair D'Agostini e Roberto Oliveira. Pois, estas "lêndias" vivas do teatro gaúcho juntaram-se para conversar sobre a arte do ator, principalmente enfocando a questão o ator e o seu método. Boa conversa. Excelente presença do público. Na platéia, além de uma porção de jovens ávidos pela troca, sentavam celebridades do meio teatral: Nelson Diniz, Márcia do Canto, Claúdia Sachs, Melissa Dornelles, entre outras. O nível da discussão foi elevado: os métodos de atuação, o treinamento do ator, a importância da pesquisa e da experimentação na formação de atores, a importância da formação de atores, foram alguns dos assuntos abordados. Público e integrantes da mesa concordaram que a Coordenação deveria abrir mais espaços para este tipo de conversa: a troca de experiências está fazendo falta na cidade. Ficou anotada pela Coordenação de Artes Cênicas a sugestão de continuidade.

XVI FENTEPP

Como comprova o meu crachá aí em cima, eu estive participando da décima sexta edição do Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente, cidade localizada no oeste do estado de São Paulo. O festival traz aos prudentinos uma amostragem da produção nacional de teatro adulto, infantil e de rua. Trata-se de um festival modesto. Não tem o gigantismo pretensioso do Porto Alegre em Cena. Afinal de contas, apesar de ser em São Paulo, Presidente Prudente é uma cidade interiorana, nitidamente menor do que Porto Alegre.
Mas, o FENTEPP, com a assistência total do SESC, apresenta uma programação que, embora seja de altíssima qualidade artística, fica meio semelhante a do Palco Giratório, evento teatral nacional promovido pela mesma entidade. Nesta edição foram 35 espetáculos originários de vários estados brasileiros. É isso aí.
Valeu, Fentepp.
M.F.

sábado, 4 de julho de 2009

TORTURANDO CRIANÇAS NO TEATRO INFANTIL


O QUE ESTÃO FAZENDO com o teatro infantil? Será que não tem ninguém vendo o que estão fazendo com o teatro infantil? Será que não tem uma arte-educadora, capaz de se indignar com o que está acontecendo com o teatro infantil? Não tem um psicólogo de pré-escola que tenha a ousadia de botar a boca no trombone para reclamar da programação do teatro infantil? Não tem uma diretora inteligente de uma escola moderna, avançada e inteligente que venha de público manifestar-se sobre o baixíssimo nível do teatro infantil. Não tem um pai, uma mãe que não perceba que não é bom expor o filho a certas peças que estão em cartaz e escreva uma carta para um jornal denunciando o fato. Eu coloquei uma enquete neste blog sobre a qualidade do teatro infantil que se anda fazendo em Porto Alegre. Hoje dei uma olhada num site é fiquei pasmo com a programação. Não vi e não gostei. Ainda bem que eu não sou obrigado a assistir nenhum dos espetáculos em cartaz. Me imaginei criança, com meus pais preocupados com minha formação cultural e me levando obrigado ao teatro para ver uma "pecinha infantil". Que tortura não haveria de ser. Para mim e para eles. Quando crescesse, certamente, eu odiaria o teatro. Há alguns anos atrás, Porto Alegre poderia orgulhar-se do nível de seu teatro infantil em relação ao que é praticado, por exemplo, no Rio de Janeiro, ou em São Paulo, ou em Brasília, que foi onde vi as piores peças infantis. Embalado pela explosão de produções caça-níqueis e besteiróis medíocres que vêm assolando o teatro para adultos, também o teatro infantil vem perdendo contínua e absurdamente a qualidade e o senso crítico e artístico de outrora. Atualmente, o que se vê é a criança exposta, indefesa, diante de tanta mediocridade que lhe é apresentada guela abaixo. É um reflexo do baixíssimo nível da programação televisiva dedicado aos "baixinhos". E, desculpem, mas tenho que voltar aos pais? O que os pais estão achando disso? Será que eles também estão com a cultura embotada e não conseguem distinguir o joio do trigo? Será que não há nada nos estatutos da criança e da adolescência que fale do poder de destruição que este tipo de teatro poda causar na criança e no prazer ou desprezo que ela tenha em assistir uma apresentação teatral? Muitas destas respostas eu não tenho, não sei o que dizer, algumas eu pressinto, e não é nada bom o que eu vislumbro. O teatro infantil, o bom teatro infantil, vem perdendo público ano após ano na proporção direta em que o medíocre teatro comercialóide vem alcançando maior lucratividade. As escolas compram, os pais levam os filhos, as orientadoras dão seu aval, as diretoras assinam embaixo, todos fazem vista grossa e a criança tem que engolir uma pecinha que lhe trata como um debilóide.
M.F.

ADEUS, PINA BAUSCH

Tive oportunidade de estar perto dela. Dizer a oportunidade de conhecê-la, seria um exagero. Eu estava trabalhando como diretor de palco numa das edições do Porto Alegre em Cena em que ela era uma das mega atrações do Festival. Sua peça seria apresentada no Teatro do SESI. A produção do Festival teve que aumentar o palco, pois não tinha a profundidade que Pina achava necessário que tivesse. Primeiro chegou o responsável pela montagem com um batalhão da auxiliares alemães e brasileiros. Depois, chegavam as produtoras e camareiras e todo pessoal que prepara a produção, Checavam cada item. Mais tarde chegavam os bailarinos e preparadores e ensaiadores. Ela era a última pessoa a chegar no teatro. Tinha secretária pessoal e secretária executiva. Tinha até um anotador de erros. Tinha uma estrutura que só alemães conseguem ter. Além dos japoneses, é claro.
Na última apresentação ela mandou reunir todas as pessoas que haviam trabalhado durante a realização do espetáculo e deu um singelo presente e um breve discurso de agradecimento que foi traduzido pela sua intérprete pessoal.
Claro que saber que quem está ali falando, ali na tua frente, ali te olhando nos olhos é a própria Pina Bausch já amplia e deforma totalmente a importância do evento. Dá um peso tanto para o discurso, quanto para o momento. Mas, posso jurar que emanava dela uma energia cálida, uma autoridade imanente, um carinho transcendente. Guardei o momento na minha memória. E também a camiseta pólo preta do Tahztheater Wuppertal - Pina Bausch - Porto Alegre - 2006.