quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

PESADA LIÇÃO DE VIDA

Existem determinadas pessoas que nos fariam um enorme favor se ficassem longe da gente. Pessoas que se infiltram em nosso meio para causar dores e prejuízos não precisavam sequer existir. Ou então deveriam nascer baratas. Vermes.
Em agosto de 2004 o Depósito de Teatro, acreditando estar dando um passo em direção a profissionalização dos seus integrantes, chamou uma produtora executiva para tocar a produção do espetáculo "QURIOZAS QOMÉDIAS" que havia conquistado o financiamento do Fumproarte e permitia esta extravagância. Logo em seguida fomos classificados em outros editais e passamos a direção de produção para esta mesma moça que trabalhou no Depósito até o dia 11 de julho de 2006 quando declarou ter desviado uma quantia de aproximadamente 30.000 reais da conta bancária da Associação, sendo que esta soma era o total de vários golpes nos quais o dinheiro era surrupiado de várias formas diferentes e durante todo tempo em que ela trabalhou com a gente. Fomos vítima de estelionato.
Procuramos imediatamente um advogado e no dia 28 de julho de 2006 comparecemos na Terceira Delegacia de Polícia para apresentar queixa crime contra nossa produtora.
Para que se possa compreender a extensão do golpe, a profundidade do problema causado pela ação desta moça desqualificada, basta dizer que ainda hoje, passados mais de 20 meses, ainda estamos nos refazendo dos reflexos financeiros que este "irrisório" roubo de 30.000 reais causou nas finanças do grupo.
Pois, esta semana recebemos com júbilo a notícia que a ré, L.A.P.G. foi condenada a um ano e quatro meses de trabalho social para alguma causa comunitária que será determinada pela Justiça, e a partir de agora deixa de ser ré primária podendo pegar uma cana dura caso venha a cometer o mesmo ou outro delito que venha lesar algum outro incauto.
Tivemos que conviver com o rombo, com suas causas e com nossas omissões, ainda estamos costurando os buracos deixados em nossa confiança irrestrita nos seres humanos e, acima de tudo, estamos ainda tentando aprender a lição que nos trouxe semelhante acontecimento. Esperamos que a referida estelionatária tente aprender também a lição durante sua pena. Se não aprender com esta, vai, com certeza, aprender com a próxima.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

UM REGISTRO PRECIOSO

Apenas para declarar que acho da maior importância a existência do Anuário de Artes Cênicas de Porto Alegre, que democraticamente relaciona todos os espetáculos da área levados à público durante o ano. O Anuário é produzido pela Coordenação de Artes Cênicas da SMCultura, organizado pela Laurinha Backes, Lourdes Elói e cia., e produzido pela equipe da coordenação comandada pelo Prof. Luiz Paulo Vasconcellos.
Parabéns pela brilhante idéia, parabéns pela realização deste precioso registro que preserva em si a história das artes cênicas em Porto Alegre.
Aliás, um verdadeiro trabalho de garimpo vai começar agora quando a missão e lançar um almanaque sobre o que foi realizado nos anos oitenta. À luta, mãos à obra.
Se o Sr. Athos Damasceno, sozinho, numa época em que não existiam as facilidades do computador e editoração eletrônica, conseguiu publicar em 1956 "PALCO, SALÃO E PICADEIRO", obra que traça a história do espetáculo e da crítica no século XIX, é 100% garantido que em breve teremos a oportunidade de conhecer, ou relembrar, o que foi realizado na década de oitenta nos teatros de Porto Alegre.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

DOZE ANOS NA PRIMEIRA FILA

Leitura fundamental para quem faz teatro desde o final dos anos 70 até 1992, o livro "DOZE ANOS NA PRIMEIRA FILA" escrito pelo então crítico teatral do Segundo Caderno da Zero Hora, o ilustre senhor CLAÚDIO HEEMANN, que tive a feliz oportunidade de conhecer, e passar do ódio irracional e incontrolável à simpatia e daí a estima sincera. O livro contem uma coleção de críticas selecionadas por ele mesmo dentro das que escreveu neste período: abril de 1978, quando "o meu relacionamento com o teatro sofreu uma alteração significativa. Recebi convite para ser crítico teatral do jornal Zero Hora.", até a data em que foi despedido da função pela mesma Zero Hora, um dos muitos braços jornalísticos do ilustre e poderosíssimo Grupo RBS.
Acredito eu, que isto aconteceu quando houve uma grande reformulação que sacudiu o jornal e a demissão do crítico não foi a primeira, nem a última. O jornal inteiro passou por uma reforma, modernizou-se, tornou seu alcance mais nacional e um pouco menos voltado para as coisas locais. Mas isso ja é assunto para outra conversa.
Considero como minha primeira peça, para efeito de currículo e realização, o espetáculo "QUANDO AS MÁQUINAS PARAM" (de Plínio Marcos, com direção de Paulo Flores) que foi encenada em 1976. Em 1978, quando Cláudio Heemann começou a escrever na Zero Hora eu estava dando os primeiros passos naquele novo terreno. Então era natural que eu sofresse algumas críticas mais duras, mas estas críticas não aparecem no livro, ou pelo menos não são a tônica do material escolhido com habilidade, argúcia e inteligência que sempre foram características da personalidade exterior exercida no papel de crítico por Claúdio Hemann. Sua figura alta, seu cavanhaque "naturalmente" bem aparado e torto, seu inseparável casaco, paletó ou jaqueta, tudo em sua pessoa rescendia a dignidade e sapiência. Provavelmente ele lia os escritos demolidores da super crítica norte-americana Pauline Kael (depois veremos se o nome está certo). Com certeza, era discípulo de Barbara Heliodora. No livro, nos deparamos tanto com a face do crítico mordaz, quanto a do crítico temível e temido, cuja opinião poderia alterar significativamente a bilheteria do teatro e, mais ainda, sujeitar a opinião das pessoas, influenciando no poderoso boca à boca. Mais ainda, aparece no livro sua maneira objetiva e precisa ao tratar do espetáculo em suas diversas áreas.
Lembro que suas críticas eram dissecadas pelos elencos pelos quais passei. Se ele falava bem de nossa peça sempre acertava em cheio em sua opinião, caso contrário, tivesse ele o topete de falar mal do nosso suado e honestíssimo trabalho, como podia ser tão burro e míope, tão petulante.
Claudio Heemann faleceu em dezembro de 1999. Assim, no ano que vem estaremos 10 anos sem nosso crítico teatral, que participou da célebre primeira montagem de Qorpo Santo, em 1966, no Clube de Cultura (como diria Hilda Hilst: "Informe-se."), e com certeza foi seguindo os passos de Qorpo Santo que Claúdio Heemann deixou pronto, antes de morrer esta preciosa seleção de textos e outras anotações que traçam um pedaço da história do teatro e do espetáculo na cidade de Porto Alegre. E mais, ele preserva e reune uma seleção dos mais importantes, destacados e elogiados acontecimentos da área cênica. Um pedaço da história do teatro local. Fundamental. E, para muitos, uma viagem sentimental e nostálgica.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

SÓ PRA CONSTAR

Por prazer, por brincadeira e por exercício intelectual tenho escrito comentários sobre peças, filmes e livros e coisas que tenho assistido, pequenas críticas, porque não chamar propriamente pelo nome?, com o intuito de treinar minha capacidade de colocar no papel de forma, clara, objetiva e subjetiva, minhas impressões sensoriais e intelectuais sobre a obra em questão.
Como tenho vários amigos no meio teatral, dedici publicar minhas críticas num blog e, como nenhuma delas é escrita com o objetivo de ferir, magoar, destruir, desacatar, ofender e mais toda uma lista de verbos com conotação negativa que alguém possa querer enxergar, tomo a liberdade de informar para alguém mais chegado meu e relacionado com a equipe do trabalho em foco, o endereço do blog e também, que escrevi um texto sobre o assunto.
Minha proposta é induzir a reflexão e a discussão do trabalho que estamos realizando hoje, aqui em Porto Alegre, porque acho que pouquíssimo exercitamos esse hábito salutar de trocar impressões sinceras sobre aquilo que se vê com as pessoas que estão diretamente relacionadas com a criação e apresentação da obra. Mesmo quando escrevo de forma mais contundente e taxativa, sei que minha opinião não é a expressão da verdade e não pretendo, mais do que qualquer outro escritor, converter o leitor à minha opinião. Não tenho a intenção de invalidar, tampouco de perder amigos. Lanço um olhar crítico sobre o que assisto, escrevo sobre isso e proponho um debate sobre peças, textos, espetáculos, propostas, enfim, sobre teatro em particular e sobre a vida de uma forma geral.
O blog está sendo divulgado principalmente no meio teatral porque, embora capacitado para discorrer em outras áreas, como pode ser observado no meu perfil, tenho escrito mais sobre teatro, esta encantadora e efêmera, e tão aviltada, arte.
Para finalizar gostaria de encorajar os possíveis leitores destas críticas para que enviem seus comentários.
Modesto Fortuna.


domingo, 2 de dezembro de 2007

VIAGEM A DARJEELING

Caso você esteja com vontade de ir ao cinema e não decidiu o que quer ver, pode escolher este filme. Agora, se você escolher algum outro não perderá nada com a troca, pois este, com certeza, não será o filme da sua vida. Após a morte e funeral do pai, três irmãos norte-americanos, típicos filhinhos-de-papai, empreendem uma viagem a Índia para encontrar-se a si mesmos e a mãe que trabalha como voluntária num povoado remoto daquele estranho país. No release do site oficial do filme diz que se trata de "um filme sobre aventura e amizade". Trata-se apenas de um bom passatempo. Bons atores, belas imagens belas imagens da Índia, um tom de comédia maluca, um roteiro meio mal amarrado. Enfim, se não tiver uma escolha melhor, ou se quiser apenas entreter-se por uma hora e meia, vá assitir.

domingo, 25 de novembro de 2007

MORTE NO FUNERAL



Infelizmente, o melhor espetáculo do meu final de semana cultural foi um filme e não uma peça de teatro. Em cartaz na CCMQ uma excelente comédia inglesa que, com certeza, atinge seu objetivo principal: fazer rir. Um elenco afinado, um roteiro bem fechadinho recheado de situações cômicas faz de Morte no Funeral um bom programa. Não se trata de uma maravilha do outro mundo, mas em comparação com muitas comédias americanas modernas, fica bem acima da média.

domingo, 26 de agosto de 2007

PEQUENAS REFLEXÕES QUE ACOMPANHAM A PESSOA


Este na foto é meu grande amigo Roberto Oliveira. É ator e diretor de teatro, embora não acredite que faça bem nenhuma das duas coisas. No máximo, engana. Prefiro omitir meus comentários para não magoar o amigo. Roberto tem 53 anos e chega nesta idade com tremendas reflexões pesando, incomodando, perturbando sua cabeça. São dúvidas terríveis à respeito do passado, do presente e do futuro. Sente como se os 50 anos fossem um divisor de águas, a descida da serra da vida, lomba abaixo na velocidade vertiginosa dos tempos pósmodernos. Tenta agarrar-se à vida e aproveitar o mais que pode, mas percebe que a vida lhe escapa por entre os minutos perdidos e então tenta inutilmente recontar os minutos perdidos, o tempo perdido, detectar as escolhas erradas, contabilizar os fracassos do percurso e chegar a aniquiladora sensação de ter feito mais de 90% das suas escolhas erradas. A demolidora certeza de ter fracassado. Afirmou para mim, que acha-se um artista medíocre e medroso e que, em diversos momentos, deparou-se com a barreira concreta dos seus limites intransponíveis, fracassando na missão auto-imposta de construir uma obra perene, quando lida com uma arte absurdamente efêmera. Fico pensando, cá com meus modestos botões: uma pessoa que pensa assim, vai continuar pensando assim pelo resto da vida, e então, daqui há, digamos, 10 anos, estará pensando se não errou nas escolhas que fez durante estes 10 anos. Ou, pior, pensando nas escolhas que está fazendo agora, e errando, sem saber o que é certo e o que é errado. Levado por uma profissão que lhe encantou desde a primeira vez que representou, mas que, até o presente momento, deve responder diariamente porque é necessário continuar, acreditar. E sempre a dúvida. E em todos os tempos, condenado. É possível. É bem possível. Mas são apenas reflexões de um amigo que durante toda a sua vida foi levado impulsivamente a fazer suas escolhas. Com as mulheres, todas, acertou sempre em cheio. Com o teatro, com a profissão, ele não tem tanta certeza. Apenas pequenas reflexões que acompanham este senhor.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

TALVEZ DEPOIS DO RAIO



por timidez ou por respeito ao planejamento gráfico ou sei lá porque motivo o novo disco de marcelo delacroix recém lançado (Depois do Raio) e à venda nas boas casas do ramo saiu sem foto dele. eu que sou amigo dele no orkut e fã incondicional dele tanto na vida real quanto da sua pessoa artista senti falta da foto. quer dizer, o cd é tão lindo que sentir falta da foto é uma frescura um preciosismo da minha parte. eu que já tinha o cd anterior (Marcelo Delacroix) um verdadeiro primor que volta incontáveis vezes ao meu aparelho de som ouvindo “chove sobre a cidade” fiquei emocionado extasiado mais demorado encantado com a voz com o som com as melodias com os arranjos com com com a capa e o encarte do cd com as letras com com o barbosa lessa (cantiga de eira) e entrei no disco e fiquei durante dias ouvindo e ouvindo de novo (a faixa título) depois do raio a estrela ainda está lá e toquei mais uma vez e mais uma vez fui tocado pela música encantadora do marcelo. escutei “gente boa” só pra me dar conta de que já conhecia esta canção da própria boca do marcelo. que coisa mais linda esse rapaz. que coisa mais linda e sensível e boa e do bem que é esse cd. comprem comprem pensava eu enquanto ouvia “ciranda da lua”. e me dei conta que ainda outro dia eu estava ouvindo o disco novo do ângelo primom (mosaico) e que outro dia antes ainda eu estava escutando o último do arthur de faria (música pra bater pezinho) e que eu olha só que chique que orgulho morram de inveja ouvi o próprio último cd que ganhei das próprias mãos do próprio nelson coelho de castro. e então não pude evitar de pensar porque nossa música nosso teatro nossa dança nossos esforços artísticos tem que permanecer trancafiados limitados as nossas estreitas fronteiras quando muito riograndenses condenados a um pequeno circuito “alternativo”. como alcançar o público nacional? como entrar nessa corrente que poderia levar nossos artistas a atingir um mercado maior estando fixados aqui no estado? como não ser forçado a sair daqui e vencer lá fora e a mudar-se para o rio ou são paulo (meu amigo bebeto alves e meu querido totonho villeroy) para fazer uma carreira nacional e finalmente estourar aqui também e ver seu trabalho acontecer na sua própria terra e receber aquele tão ansiado desejado e necessário reconhecimento (eu pelo menos sinto assim). será que estes artistas não querem isso? não querem o mercado nacional e eu que fico pirando com isso? será que tem alguma coisa atrapalhando bloqueando impedindo? algum preconceito atropelando nossos esforços? será que porto alegre é mesmo tão pequena assim tão provinciana assim? ou já mudou cresceu e não estamos vendo? será que se as rádios tocassem em sua programação diária estes e outros músicos daqui será então que eles teriam mais chance de serem reconhecidos e comprados? será que se as emissoras de televisão colocassem nossos músicos e atores e bailarinos na telinha será então que eles veriam seus talentos reconhecidos e veriam suas bilheterias crescerem e seus cds expostos nas vitrines das lojas de disco do país inteiro? talvez... depois do raio mude esta situação. oxalá! mas enquanto isso não acontece acho urgente que tudo tenha foto que a gente tenha cara e que nossa cara seja divulgada mesmo que seja por nós mesmos e que nosso trabalho apareça mas que não seja apenas entre nós mesmos. Encerro com os últimos acordes de “minueto”.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Sobre a arte de escrever.


Faz sete dias que não escrevo neste meu blog. Sempre penso que vou escrever todos os dias, mas nunca consigo fazer isso. Às vezes acontece que não tenho tempo pra escrever, às vezes não tenho o quê escrever na hora que posso, às vezes acho que tenho o que escrever mas não estou aqui, na frente do computador. E acontece também de estar aqui e ter tempo para escrever e não ter uma mísera idéia sobre o quê escrever. Só quem escreve é que sabe como é difícil escrever. Escrever bem , então... A literatura é uma arte no mínimo escorregadia. Ja me aventurei por todos os caminhos literários quase sempre sem sucesso. Continuo tentando. Pior mesmo são aqueles casos de autores que ficam a vida inteira repetindo-se mediocremente e juram que são ótimos. No teatro, tem vários. Se escrever é díficil, escrever para teatro é cruel. O autor pode até enganar o seu leitor, mas não engana o espectador. Além disso, quem nasceu pra Bortolotto, pode até enganar imitando Bukowski, mas nunca vai ser um. Quem nasceu pra cópia, nunca chega no original.

sábado, 14 de julho de 2007

Revendo velhos conceitos sobre Porto Alegre.


Eu penso que existem "interésses", como diria o nosso Brizola, que pretendem amarrar Porto Alegre ao passado e ao provincianismo. Pretendem atrelar Porto Alegre ao titulo de "carroça". Trata-se de uma deslavada mentira. Porto Alegre não e mais, nem de longe, aquela cidadezinha tosca e interiorana que ficava localizada no extremo sul, no cú do Brasil.
Porto Alegre é a cidade da Restinga, do Lami, lá na extrema Zona Sul até a Nova Gleba, a Wenceslau Fontoura, lá nos cofins da Zona Norte, divisa com Alvorada. Com certeza, hoje, são raríssimos os portoalegrenses que conhecem toda Porto Alegre. A cidade se emancipou totalmente a partir do momento que recebeu o Fórum Social Mundial. Ganhou ares cosmopolitas. Ficou famosa no mundo inteiro.
Incutir a idéia de que a cidade ainda é pequena, interiorana, atrasada, é trabalhar pela manutenção de ideais elitistas, tacanhos e, estes sim, atrasados, retrógrados, que almejam preservar ad infinitum os privilégios, as prerrogativas e as imunidades que os ideólogos do provincianismo portoalegrense desfrutam desde os tempos da fundação da cidade.
Um olhar mais detido pela cidade, revelará que Porto Alegre é uma metrópole, que a cidade se desenvolveu tremendamente nos últimos 25 anos. É um fato. É inexorável.

CÃO SEM DONO



de repente, quando eu menos esperava, fui convidado pra fazer o cão sem dono. que bela experiência de vida. que bela experiência de filmar. que grandes parceiros e profissionais o beto e o renato. que sintonia. que respeito rolava entre os dois. que delicadeza no trato com os atores. que maravilhosa certeza à respeito daquilo que queriam. direção certeira com mãos de veludo. bacana. e eu estava lá. tive a sorte de integrar a ficha técnica do filme. o julhinho está total. entregue. do caralho. o galera é um puta escritor, aliás quem não leu "mãos de cavalo" está perdendo um livro excelente do começo ao fim. e a mina? a tayná. que linda. que solta ela está no filme. a primeira vez que atua. que talento. eu fiquei absolutamente feliz de ter participado do filme. longa vida para o nosso cão sem dono. longa vida para beto brant e renato ciasca.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

HOJE TEM BAGASEXTA


Hoje é noite de Bagasexta. Hoje é sexta-feira, treze, e é dia de BAGASEXTA TPM. Faz quase cinco anos que repetimos mensalmente este espetáculo, um show de variedades ambientado num bar e que acontece no meio de uma festa que reúne tipos de todas as tribos. Antigamente, acontecia de quinze em quinze dias. Como a festa transformou-se em festa temática a partir da segunda edição, a gente quase morria pra produzir e apresentar o show duas vezes por mês. Nem bem a gente se recuperava de uma Basgasexta, ja tinha que começar a produzir a seguinte. Era um trabalho anormal.
Teve a Bagasexta do Depósito da Benjamin. Depois teve a fase Sunga que mudou de nome e virou Cine Theatro Ypiranga, cheio de "h" e de "y". E agora estamos na fase do novo Depósito.
Na Benjamin, era o momento da invenção. Muitos artistas compareciam. Tinha fila. Era apertado e a Bagasexta ficou famosa. Saiu na Zero e tudo. No Sunga, virou meio gls, mudou de público. Mudou de Sunga pra Cine Theatro e mudou de público de novo. Agora, voltou pro Depósito, espaço maior e está se ambientando. Mas ja deu pra ver que os artistas voltaram. Voltaram os colegas. Tem um público legal. Gente bacana.
Atualmente estamos numa fase, no mínimo, conturbada, já que dois atores do elenco estão tentando a vida no Rio de Janeiro e estão cada vez menos conosco. A parte de criação fica bastante prejudicada. E a atuação também, ja que nem sempre eles estão com a gente e então toda aquela empolgação e química de grupo se perde. A festa perde com isso.
Mas... c'ést la vie, como dizem os franceses.
Escrachamos o humor, detonamos o bom mocismo, radicalizamos a comédia, expomos o nosso rídiculo e o dos outros, desrespeitamos o politicamente correto em nome da risada e do enlouquecimento do cidadão, estimulamos o uso da altas doses de prazer no corpo e nas relações, provocamos o desnudamento do ator e do público. Isso é a Bagasexta. Isso, pra mim, é a Bagasexta.
Logo que a Baga firmou-se como um sucesso, a gente pode notar o surgimento do efeito inveja. Parece mentira, mas a Bagasexta suscita inveja em algumas pessoas da dita classe teatral. A "crasse" não perdoa o sucesso. Claro que não é só com a Bagasexta que isso acontece. É bem coisa de Porto Alegre. Aqui, a coisa funciona assim. Mas, com ou sem inveja, a caravana passa e nós passarinhos.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Reflexões sobre a velhice.


Minha cabeça está cheia de coisas. Sempre cheia de coisas. Minha mãe está no hospital. Ela e mais quatro outras senhoras, outras quatro mulheres velhas num hospital cheio de outras pessoas velhas e doentes. É difícil circular pelo hospital sem pensar no meu futuro. Meu futuro sempre me dá o maior medo. Não gostaria de me ver no lugar de minha mãe. Olho pra ela e sinto pena. Ela me parece tão criança... tão desamparada. Hoje ela disse: "É..." e parou. Não formulou o resto do pensamento. Perguntei-lhe o que era e me disse: "Tantas coisas..." e não me disse mais nada. Fiquei pensando que coisas ela teria na cabeça? E olhei pras outras velhas. E pensei qual o sentido da velhice? Pra quê? Talvez em algum momento passado os velhos tivessem algo a ver com sabedoria e pudessem dar conselhos sobre as coisas da vida. Então a velhice teria algum significado. Hoje, a gente tem que procurar muito antes de encontrar algum velho que tenha em si algum resquício de alguma sabedoria ou conhecimento sobre a vida que ele possa e/ou se disponha a passar aos mais jovens. O que mais se vê na velhice é a mágoa. Uma amargura que turva os olhos e os sentidos e faz com que o velho seja apenas um chato esperando a morte. E quando eu ficar velho? Como será o mundo quando eu ficar velho? Quando eu serei velho? Com sessenta anos? Com setenta? Que outras vantagens, além de não pagar passagens de ônibus, eu terei quando ficar velho? Ficarei mais perto da morte. ficarei mais perto da decadência, das doenças, da decrepitude. Pena, mas não consigo enxergar ganhos na velhice. Agora, apenas observo tudo isso com temor. Parece-me tão sem sentido. Tão cruel com o ser humano. Saber que vai morrer sem saber quando é o guiness de crueldade. Envelhecer é, com certeza, o segundo lugar. A pele enrugada, os músculos flácidos, as dores no corpo, as falhas da memória, a proximidade da morte, a dificuldade de respirar, locomover-se, viver, em suma. Pra quê?

terça-feira, 10 de julho de 2007

VIVA A CHORADEIRA PANFLETÁRIA

Num momento qualquer da história bem moderna inventou-se o panfletarismo e de repente tudo virou panfletário. Fazer campanha contra ou a favor de qualquer coisa é panfletário. Manifestações em geral é panfletário. Piquete é completamente panfletário. Entregar panfletos é panfletário. Acho que isso começou um pouco antes do “politicamente correto”. Atualmente com o Big Bush mandando bala, voltou à moda falar mal do Tio Sam, mas sempre tem que tomar cuidado pra não ser chamado de panfletário.
No teatro é exatamente a mesma coisa. Só muda o rótulo: choradeira. Qualquer coisa que se reclame é choradeira. Não se pode reclamar. Não se deve reclamar de nada ou logo se ouve: “- Começou a choradeira”. Quando alguém pergunta como vai a situação do teatro local, a gente, que é de teatro, já pede desculpa antes de começar a falar rezando para que o interlocutor não vá pensar que se trata de mais uma crise de “choradeira”.
Mas cá entre nós, a situação está péssima. E chamem do que quiserem.
Deixar de fazer uma denúncia social ou política apenas porque ela vai ser tachada de panfletária é acreditar no imobilismo. Deixar de enumerar os eternos problemas do teatro gaúcho apenas por que vão dizer que é “choradeira”, é tapar o sol com a peneira. Apenas por exercício especulativo: a “choradeira” da classe teatral não seria, eventualmente, porque os “eternos problemas do teatro local” continuam, há mais de quinze anos sendo eternos? Não seria porque estes renitentes problemas não estão sendo atacados por aqueles que ocupam cargos e têm a responsabilidade pública de fazer alguma coisa a respeito?
O que nós, artistas de teatro, devemos fazer? Devemos calar? Sorrir muito? Parecer felizes? Exemplo 1: A secretaria de estado da cultura afogada em dívidas herdadas da administração anterior, que as herdou da administração anterior, que herdou da outra que veio antes, ainda não pagou integralmente o prêmio de incentivo às artes cênicas de 2002, não colocou o edital em 2003, nem 2004. Instaurou um prêmio para 2005/06, depois voltou atrás e retirou-o do ar, mesmo ja tendo grupos inscritos. A LIC, desde sua criação atende muito mais aos grandes projetos do que a produção teatral “formiguinha”representada pelos espetáculos que fazem a vida cultural da cidade. O que significa para um empresário o meu projeto quando ele concorre com o mega Porto Alegre em Cena? Com o glamuroso Festival de Gramado? Com a super OPUS e sua corrente de patrocinadores? Onde está o fundo de apoio à cultura?
Exemplo 2: Em três ocasiões diferentes entreguei para três coordenadores de artes cênicas diferentes (a pedido deles) e para dois secretários municipais de cultura diferentes (que não pediram) um documento apontando problemas crônicos, estruturais e necessidades do teatro local. Se na próxima administração da mesma secretaria porventura me pedirem posso apenas imprimir novamente o mesmo documento (como fiz em cada uma destas vezes anteriores) e entrega-lo mais uma vez porque ele continua(rá) atualíssimo.
A ordem na classe teatral parece ser cada um cuidar da sua vida isoladamente, parar com a ”choradeira”, continuar produzindo e procurar resolver os problemas.
Achamos mesmo isso? Ou entendemos que muitos destes problemas não deveriam ser tratados por nós? Nós é que devemos desenvolver soluções que deveriam ser pensadas, planejadas e exercidas por outras pessoas que foram eleitas ou designadas para cuidarem disso? Pessoas que se escudam na desculpa da faltas de verbas para ficarem com suas bundas magras ou gordas ou flácidas ou empinadas enfiadas em cadeiras confortáveis esperando que a gente resolva o que eles deviriam resolver. Será que a gente reclama porque é chorão ou porque simplesmente as coisas não são mesmo feitas?
Grandes tacadas federais como passar o pires na Itália buscando dinheiro para restaurar prédios da colonização italiana no interior do Rio Grande do Sul, ou uma campanha para trazer para Porto Alegre um Centro Cultural do Banco do Brasil, são iniciativas louváveis na sua essência, mas e o dia a dia? E a produção teatral? A infraestrutura? A distribuição de espetáculos? A manutenção de grupos estáveis?
Por tudo isso, inflamado por este ataque de chorão e panfletário, lanço a convocação: CHORÕES E PANFLETÁRIOS DO MUNDO DO TEATRO, UNI-VOS. NÃO DÁ MAIS PARA SUPORTAR CALADO TANTO DESCASO! POR UMA POLÍTICA CULTURAL CLARA E EFICIENTE! POR APOIO A PRODUÇÃO TEATRAL! MAIS VERBAS PARA O TEATRO!

EU INVENTEI DE SEGUIR A MULHER - outro pequeno conto

Eu inventei de seguir a mulher. Eu tava de bobeira e inventei de seguir a mulher. Não que eu seja tarado. Mas não tinha nada pra fazer e pensei que ela ia ficar muito assustada. Eu não tinha que seguir a mulher, mas eu segui. Achei que seria no mínimo engraçado me fingir de maníaco que segue alguém. Fiz uma cara de quem está muito afim de sacanear alguém e fiquei seguindo ela desde que desceu do ônibus. Enterrei o gorro na cabeça, meti as duas mãos nos bolsos e segui a mulher. Ora me aproxima, ora deixava ela se distanciar um pouco. Respirava alto como imaginava que era a respiração de um tarado e falava bem baixinho as coisas mais escrotas que eu conseguia imaginar. Só dizia merda. Só pensava merda. Quanto mais merda eu falava mais merda eu tinha pra dizer. Ela apressou o passo. Pronto. Desconfiou. Sentiu que eu era perigoso e que tava querendo aprontar pra cima dela. Olhou pra trás de canto de olho pra verificar não sei o quê, como se adiantasse dar uma olhada rápida pra contabilizar as chances de escapar. Ela tava fudida. Tava escuro pra caralho. Frio pra caralho. Não tinha um puto na rua. Tava todo mundo socado nas suas casas vendo uma merda de programa de televisão qualquer. Comecei a me sentir mais perigoso. Comecei a gostar da sacanagem. Ela estava cada vez com mais medo de mim. Caralho, nunca imaginei alguém com medo de mim. Na real, eu é que sempre tive medo dos outros. Eu que me sentia sempre por baixo. Sempre com medo de apanhar. De levar mijada. De levar um pé na bunda. E agora aquela vagabunda, bunda grande, tava ficando apavorada comigo. Só com a minha presença. Com a minha respiração de tarado. A mulher não era grande. Só a bunda dela é que era grande. Ela era média. Gostosinha. Não vi a cara dela, mas olhando assim, de trás, parecia uma putinha indo pra casa depois de sair do trabalho de balconista ou qualquer outra merda e ter se encontrado com o namorado guri de xerox e se esfregado bastante com ele até ficar com a buceta molhada... Vagabunda... tu merecia morrer, sua puta, filha duma puta, bunduda... tu deve ter uma buceta boa de meter o cacete bem duro... eu vou te pegar piranha e vou te fuder essa buceta e esbagaçar o teu cú sujo e fedorento... E eu tava pensando essas coisas e falando uns troços assim e cada vez mais gostando do meu personagem, cada vez mais me sentindo, me achando, e ela andando bem rápido quase correndo devagar, quando surgiu um cara correndo com um baita dum berro na mão esquerda e parou na frente da mulher e disse gritando e chorando com uma cara de louco desesperado: “já que tu não quer ser minha, Valquíria, tu não vai ser de mais ninguém” e deu três tiros à queima-roupa na cara da Valquíria e em seguida olhou pra mim e perguntou desvairado: “tu que é o novo cara dela? Tu que roubou a Valquíria de mim? Filho da puta...” e atirou duas vezes. Eu caí sobre meus joelhos e fiquei ali, no meio da calçada, ajoelhado, tentando perceber onde ele tinha acertado, onde doía e de onde saía tanto sangue, vi quando ele botou a arma na boca. Vi quando ele puxou o gatilho. Vi quando ele caiu pra trás. E não vi mais nada. Só me lembro de ter pensado que fui eu que inventei de seguir a mulher. E não vi nem a cara da Valquíria.