quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

PESADA LIÇÃO DE VIDA

Existem determinadas pessoas que nos fariam um enorme favor se ficassem longe da gente. Pessoas que se infiltram em nosso meio para causar dores e prejuízos não precisavam sequer existir. Ou então deveriam nascer baratas. Vermes.
Em agosto de 2004 o Depósito de Teatro, acreditando estar dando um passo em direção a profissionalização dos seus integrantes, chamou uma produtora executiva para tocar a produção do espetáculo "QURIOZAS QOMÉDIAS" que havia conquistado o financiamento do Fumproarte e permitia esta extravagância. Logo em seguida fomos classificados em outros editais e passamos a direção de produção para esta mesma moça que trabalhou no Depósito até o dia 11 de julho de 2006 quando declarou ter desviado uma quantia de aproximadamente 30.000 reais da conta bancária da Associação, sendo que esta soma era o total de vários golpes nos quais o dinheiro era surrupiado de várias formas diferentes e durante todo tempo em que ela trabalhou com a gente. Fomos vítima de estelionato.
Procuramos imediatamente um advogado e no dia 28 de julho de 2006 comparecemos na Terceira Delegacia de Polícia para apresentar queixa crime contra nossa produtora.
Para que se possa compreender a extensão do golpe, a profundidade do problema causado pela ação desta moça desqualificada, basta dizer que ainda hoje, passados mais de 20 meses, ainda estamos nos refazendo dos reflexos financeiros que este "irrisório" roubo de 30.000 reais causou nas finanças do grupo.
Pois, esta semana recebemos com júbilo a notícia que a ré, L.A.P.G. foi condenada a um ano e quatro meses de trabalho social para alguma causa comunitária que será determinada pela Justiça, e a partir de agora deixa de ser ré primária podendo pegar uma cana dura caso venha a cometer o mesmo ou outro delito que venha lesar algum outro incauto.
Tivemos que conviver com o rombo, com suas causas e com nossas omissões, ainda estamos costurando os buracos deixados em nossa confiança irrestrita nos seres humanos e, acima de tudo, estamos ainda tentando aprender a lição que nos trouxe semelhante acontecimento. Esperamos que a referida estelionatária tente aprender também a lição durante sua pena. Se não aprender com esta, vai, com certeza, aprender com a próxima.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

UM REGISTRO PRECIOSO

Apenas para declarar que acho da maior importância a existência do Anuário de Artes Cênicas de Porto Alegre, que democraticamente relaciona todos os espetáculos da área levados à público durante o ano. O Anuário é produzido pela Coordenação de Artes Cênicas da SMCultura, organizado pela Laurinha Backes, Lourdes Elói e cia., e produzido pela equipe da coordenação comandada pelo Prof. Luiz Paulo Vasconcellos.
Parabéns pela brilhante idéia, parabéns pela realização deste precioso registro que preserva em si a história das artes cênicas em Porto Alegre.
Aliás, um verdadeiro trabalho de garimpo vai começar agora quando a missão e lançar um almanaque sobre o que foi realizado nos anos oitenta. À luta, mãos à obra.
Se o Sr. Athos Damasceno, sozinho, numa época em que não existiam as facilidades do computador e editoração eletrônica, conseguiu publicar em 1956 "PALCO, SALÃO E PICADEIRO", obra que traça a história do espetáculo e da crítica no século XIX, é 100% garantido que em breve teremos a oportunidade de conhecer, ou relembrar, o que foi realizado na década de oitenta nos teatros de Porto Alegre.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

DOZE ANOS NA PRIMEIRA FILA

Leitura fundamental para quem faz teatro desde o final dos anos 70 até 1992, o livro "DOZE ANOS NA PRIMEIRA FILA" escrito pelo então crítico teatral do Segundo Caderno da Zero Hora, o ilustre senhor CLAÚDIO HEEMANN, que tive a feliz oportunidade de conhecer, e passar do ódio irracional e incontrolável à simpatia e daí a estima sincera. O livro contem uma coleção de críticas selecionadas por ele mesmo dentro das que escreveu neste período: abril de 1978, quando "o meu relacionamento com o teatro sofreu uma alteração significativa. Recebi convite para ser crítico teatral do jornal Zero Hora.", até a data em que foi despedido da função pela mesma Zero Hora, um dos muitos braços jornalísticos do ilustre e poderosíssimo Grupo RBS.
Acredito eu, que isto aconteceu quando houve uma grande reformulação que sacudiu o jornal e a demissão do crítico não foi a primeira, nem a última. O jornal inteiro passou por uma reforma, modernizou-se, tornou seu alcance mais nacional e um pouco menos voltado para as coisas locais. Mas isso ja é assunto para outra conversa.
Considero como minha primeira peça, para efeito de currículo e realização, o espetáculo "QUANDO AS MÁQUINAS PARAM" (de Plínio Marcos, com direção de Paulo Flores) que foi encenada em 1976. Em 1978, quando Cláudio Heemann começou a escrever na Zero Hora eu estava dando os primeiros passos naquele novo terreno. Então era natural que eu sofresse algumas críticas mais duras, mas estas críticas não aparecem no livro, ou pelo menos não são a tônica do material escolhido com habilidade, argúcia e inteligência que sempre foram características da personalidade exterior exercida no papel de crítico por Claúdio Hemann. Sua figura alta, seu cavanhaque "naturalmente" bem aparado e torto, seu inseparável casaco, paletó ou jaqueta, tudo em sua pessoa rescendia a dignidade e sapiência. Provavelmente ele lia os escritos demolidores da super crítica norte-americana Pauline Kael (depois veremos se o nome está certo). Com certeza, era discípulo de Barbara Heliodora. No livro, nos deparamos tanto com a face do crítico mordaz, quanto a do crítico temível e temido, cuja opinião poderia alterar significativamente a bilheteria do teatro e, mais ainda, sujeitar a opinião das pessoas, influenciando no poderoso boca à boca. Mais ainda, aparece no livro sua maneira objetiva e precisa ao tratar do espetáculo em suas diversas áreas.
Lembro que suas críticas eram dissecadas pelos elencos pelos quais passei. Se ele falava bem de nossa peça sempre acertava em cheio em sua opinião, caso contrário, tivesse ele o topete de falar mal do nosso suado e honestíssimo trabalho, como podia ser tão burro e míope, tão petulante.
Claudio Heemann faleceu em dezembro de 1999. Assim, no ano que vem estaremos 10 anos sem nosso crítico teatral, que participou da célebre primeira montagem de Qorpo Santo, em 1966, no Clube de Cultura (como diria Hilda Hilst: "Informe-se."), e com certeza foi seguindo os passos de Qorpo Santo que Claúdio Heemann deixou pronto, antes de morrer esta preciosa seleção de textos e outras anotações que traçam um pedaço da história do teatro e do espetáculo na cidade de Porto Alegre. E mais, ele preserva e reune uma seleção dos mais importantes, destacados e elogiados acontecimentos da área cênica. Um pedaço da história do teatro local. Fundamental. E, para muitos, uma viagem sentimental e nostálgica.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

SÓ PRA CONSTAR

Por prazer, por brincadeira e por exercício intelectual tenho escrito comentários sobre peças, filmes e livros e coisas que tenho assistido, pequenas críticas, porque não chamar propriamente pelo nome?, com o intuito de treinar minha capacidade de colocar no papel de forma, clara, objetiva e subjetiva, minhas impressões sensoriais e intelectuais sobre a obra em questão.
Como tenho vários amigos no meio teatral, dedici publicar minhas críticas num blog e, como nenhuma delas é escrita com o objetivo de ferir, magoar, destruir, desacatar, ofender e mais toda uma lista de verbos com conotação negativa que alguém possa querer enxergar, tomo a liberdade de informar para alguém mais chegado meu e relacionado com a equipe do trabalho em foco, o endereço do blog e também, que escrevi um texto sobre o assunto.
Minha proposta é induzir a reflexão e a discussão do trabalho que estamos realizando hoje, aqui em Porto Alegre, porque acho que pouquíssimo exercitamos esse hábito salutar de trocar impressões sinceras sobre aquilo que se vê com as pessoas que estão diretamente relacionadas com a criação e apresentação da obra. Mesmo quando escrevo de forma mais contundente e taxativa, sei que minha opinião não é a expressão da verdade e não pretendo, mais do que qualquer outro escritor, converter o leitor à minha opinião. Não tenho a intenção de invalidar, tampouco de perder amigos. Lanço um olhar crítico sobre o que assisto, escrevo sobre isso e proponho um debate sobre peças, textos, espetáculos, propostas, enfim, sobre teatro em particular e sobre a vida de uma forma geral.
O blog está sendo divulgado principalmente no meio teatral porque, embora capacitado para discorrer em outras áreas, como pode ser observado no meu perfil, tenho escrito mais sobre teatro, esta encantadora e efêmera, e tão aviltada, arte.
Para finalizar gostaria de encorajar os possíveis leitores destas críticas a enviarem seus comentários.
Modesto Fortuna.